Mais de 90 mil óculos falsificados são apreendidos em Porto Alegre; especialistas alertam para riscos à visão
Produtos sem garantia de proteção contra raios UV podem prejudicar a saúde dos olhos e esconder doenças
Balanço Geral RS|Do R7
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Mais de 90 mil óculos falsificados foram apreendidos pela Prefeitura de Porto Alegre em um período de um ano e meio. Os produtos, encontrados, principalmente no comércio ambulante e em pontos de venda irregulares, representam não apenas um problema de pirataria, mas também um risco à saúde dos consumidores.
As operações de fiscalização buscam identificar os responsáveis pela comercialização e a origem das mercadorias. Em um período de um ano, foram realizadas 52 ações de fiscalização na capital gaúcha, e a prefeitura prevê novas operações para combater a venda dos produtos.
Óculos escuros podem criar falsa sensação de proteção
Um dos principais perigos está nos óculos de sol comercializados sem garantia de qualidade. Embora as lentes escuras diminuam a claridade, isso não significa que ofereçam proteção adequada contra a radiação ultravioleta.
Segundo a oftalmologista Anne Chaves, ouvida pelo repórter Vítor Costa, no Balanço Geral, muitos consumidores acreditam estar protegendo os olhos ao usar esses acessórios, quando, na realidade, podem continuar expostos aos efeitos nocivos dos raios UVA e UVB.
A médica explica que o problema está justamente na falsa sensação de segurança. Sem testes e controle de qualidade, não há garantia de que as lentes ofereçam a proteção necessária.
A exposição à radiação ultravioleta pode contribuir para o desenvolvimento de doenças oculares, como catarata e alterações na superfície dos olhos.
Óculos de grau vendidos irregularmente também oferecem riscos
Outro alerta envolve os óculos de grau comercializados sem avaliação individualizada. A utilização de lentes inadequadas pode provocar desconforto visual, dores de cabeça e dificuldades para enxergar corretamente.
Além disso, a compra de óculos prontos sem uma consulta oftalmológica pode atrasar o diagnóstico de doenças que também provocam redução da capacidade visual.
A orientação é procurar um médico oftalmologista para realizar uma avaliação completa e identificar a necessidade de correção visual. Com a prescrição adequada, os óculos devem ser confeccionados por profissionais habilitados, respeitando as características e necessidades de cada paciente.
Fiscalização tenta identificar origem dos produtos
A identificação dos fornecedores é uma das dificuldades enfrentadas pelas autoridades, explica Lorecinda Abraão, secretária executiva de Fiscalização de Porto Alegre. A ausência de documentação fiscal e de informações sobre a procedência das mercadorias dificulta o rastreamento dos produtos e a responsabilização dos envolvidos.
Uma legislação estadual de 2008 estabelece regras para a comercialização de produtos ópticos no Rio Grande do Sul.
Em 2022, uma ação realizada em parceria com o Sindicato das Óticas já havia resultado na retirada de, aproximadamente, 30 mil unidades irregulares de circulação, conforme as informações apresentadas na reportagem.
Especialistas também alertam para a possibilidade de materiais inadequados na fabricação de produtos falsificados, incluindo substâncias potencialmente prejudiciais à saúde. A recomendação é desconfiar de preços muito baixos, verificar a procedência dos óculos, exigir nota fiscal e procurar estabelecimentos regularizados.















