RS chega ao 60º feminicídio em 2026 e IGP cria núcleo especializado
Núcleo vai padronizar a perícia em casos de feminicídio, que chegam a 60 no RS em 2026
Balanço Geral RS|Do R7
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O Rio Grande do Sul chegou à preocupante marca de 60 feminicídios neste ano, e quatro desses casos aconteceram em outubro. Em média, o Estado registrou um feminicídio a cada 4,65 dias - aproximadamente um feminicídio a cada 4 dias e 16 horas. A média mensal é de 6,5 feminicídios por mês até agora. Diante desse cenário, o Instituto-Geral de Perícias (IGP) criou um núcleo especializado em feminicídio. A ideia é padronizar a investigação pericial e conseguir enxergar, além do crime, os sinais da violência que podem ter antecedido a morte. A reportagem é de Eduardo Pinzon.
A cena do crime conta uma história
Quando uma mulher é encontrada morta, a cena do crime pode revelar muito mais do que apenas como ela morreu. Segundo a perita criminal Juliane Chassot, o feminicídio é um crime complexo e deixa vestígios que não aparecem em outros locais de morte, como sinais de violência psicológica e simbólica. Entre eles estão fotos rasgadas, escritos na parede e lesões antigas no corpo da vítima, elementos que mostram que a mulher já sofria violência antes. Para a perita, a polícia passa a olhar esses locais com perspectiva de gênero, e isso leva ao processo informações que podem contribuir para o aumento da pena.
Protocolos específicos
O núcleo vai reunir profissionais de diferentes áreas da perícia, atentos aos casos de feminicídio. A proposta é criar protocolos específicos para esse tipo de crime e padronizar a forma como os vestígios são buscados, registrados, coletados e analisados. Juliane destaca que a prova pericial não tem viés, ao contrário da prova testemunhal, em que a pessoa pode não ter visto direito ou estar nervosa. Segundo ela, a prova do IGP é científica e cabal.
Pena de 20 a 40 anos
O feminicídio tem pena de 20 a 40 anos de reclusão, uma das maiores previstas para um crime no Código Penal brasileiro. Diante dessa gravidade, a perícia tem papel fundamental. Os vestígios encontrados na cena e os exames feitos pelos peritos ajudam a reconstruir a dinâmica da morte, esclarecer as circunstâncias do crime e fornecer elementos técnicos para a investigação e para o processo judicial.
O caso mais recente
Susiele dos Santos Brito, de 32 anos de idade foi a vítima de feminicídio de número sessenta, aqui no Rio Grande do Sul. A Brigada Militar atendeu a ocorrência no bairro Diamantino, em Caxias do Sul. O corpo foi localizado já sem vida, em uma área de mata da região. Imagens de câmeras de segurança permitiram a identificação dos suspeitos do veículo onde dois homens e a vítima estavam
Em relação ao ano passado, são três feminicídios a mais, no mesmo período do ano.
Resposta mais rápida
Para a perita criminal Luciana Farias Pereira, a integração busca dar uma resposta mais rápida e eficaz, porque os índices de feminicídio só aumentam. Ela afirma que o IGP vai fazer tudo o que for possível para que essa resposta seja dada com eficácia e rigor.















