Fotógrafo é indiciado por divulgar imagens íntimas de 20 mulheres sem consentimento
Polícia analisou cerca de 33 mil arquivos e identificou 407 fotos e vídeos de vítimas em plataforma adulta
Cidade Alerta RS|Do R7
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Um fotógrafo foi indiciado 20 vezes pelo crime de divulgação de imagens íntimas sem consentimento, após investigação da Delegacia de Polícia de Proteção à Mulher de Porto Alegre. Segundo a Polícia Civil, o homem utilizava ensaios fotográficos para conquistar a confiança das clientes e, posteriormente, comercializava imagens de conteúdo íntimo em plataformas adultas, sem autorização das mulheres.
A investigação identificou 20 vítimas e 407 arquivos, entre fotografias e vídeos, publicados em uma plataforma de conteúdo adulto. Ao todo, aproximadamente 33 mil arquivos digitais foram analisados pelos investigadores.
De acordo com a delegada Vanessa Pitrez, o suspeito não possuía antecedentes criminais e se apresentava como profissional de fotografia, oferecendo ensaios para a produção de portfólios.
Fotógrafo convencia clientes a fazer poses sensuais
Segundo a investigação, as mulheres contratavam o fotógrafo para ensaios convencionais, destinados principalmente à divulgação de seus trabalhos.
Durante as sessões, no entanto, o investigado criava um ambiente de confiança e descontração e passava a incentivar as clientes a retirar peças de roupa e realizar poses mais sensuais.
Conforme a delegada, as vítimas não haviam autorizado a publicação das imagens em sites de conteúdo adulto.
A Polícia Civil identificou um padrão de comportamento nos relatos das mulheres, que descobriram posteriormente que fotografias e vídeos haviam sido divulgados sem consentimento.
Suspeito chegou a ficar preso por um mês
Em janeiro, a Polícia Civil realizou a operação Imagem Protegida, com cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Na ocasião, o fotógrafo foi preso preventivamente e permaneceu detido por aproximadamente um mês. Depois, foi colocado em liberdade mediante medidas cautelares.
Durante as buscas, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, incluindo computadores e notebooks. Parte do material foi recolhida no Rio de Janeiro, onde o investigado também havia residido.
Alguns dispositivos ainda estão sendo analisados pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP).
Investigação pode identificar novas vítimas
Embora a primeira fase do inquérito tenha sido concluída, a Polícia Civil não descarta a identificação de outras mulheres que possam ter sido vítimas do mesmo esquema.
Segundo Vanessa Pitrez, a análise dos equipamentos apreendidos ainda pode revelar novos elementos e permitir a retomada das investigações.
O material já reunido foi encaminhado ao Ministério Público, que deverá avaliar as conclusões do inquérito.
A delegada também destacou que as mulheres prejudicadas podem buscar reparação judicial pelos danos decorrentes da divulgação não autorizada das imagens.
Polícia orienta cuidados na contratação de ensaios fotográficos
A Polícia Civil recomenda que pessoas interessadas em contratar serviços fotográficos busquem referências sobre os profissionais e desconfiem de preços muito abaixo dos praticados no mercado.
Outra orientação é formalizar um contrato que estabeleça as condições do ensaio, a utilização das imagens e os limites para eventual divulgação.
A delegada Vanessa Pitrez ressaltou que os clientes devem desconfiar de insistências para realizar fotografias que não tenham sido combinadas previamente.
Mulheres que reconheçam situações semelhantes às investigadas devem procurar a Polícia Civil para registrar a ocorrência. A identificação de novas vítimas poderá contribuir para o avanço das investigações.















