Guaíba sobe e alagamentos preocupam moradores da Região Metropolitana
Defesa Civil mantém alerta de inundação; vento sul impede o escoamento e água pode subir mais 20 cm
Cidade Alerta RS|Do R7
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O nível do Guaíba segue subindo e a situação volta a preocupar, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A Defesa Civil mantém o alerta para risco de inundação, e a água já avança sobre as áreas mais baixas. Em Eldorado do Sul, moradores enfrentam alagamentos, e a apreensão cresce com a cheia.
Ilha da Pintada é a primeira a sentir
As ilhas próximas ao centro de Porto Alegre são as primeiras a dar o sinal de que as águas da bacia do Guaíba estão subindo. Na Ilha da Pintada, a Rua Nossa Senhora da Boa Viagem já está completamente tomada pela água, conforme mostra o repórter Ricardo Azereddo.
Segundo a Defesa Civil, o nível ainda pode subir cerca de 20 centímetros até o anoitecer desta sexta-feira. A tendência é que só comece a baixar no sábado, se o tempo mudar.
Vento sul represa a água
O motivo é o vento sul, que sopra nesta quinta-feira (01.10) e impede que o nível diminua. Ele represa a água acumulada, que não consegue seguir em direção à Lagoa dos Patos e escoar por Rio Grande até o mar. Enquanto o vento continuar empurrando a água de volta, a situação de alagamento persiste.
Moradora da Ilha da Pintada desde 2012, Leonides conta que já viu várias cheias, mas que a atual começou de forma inesperada. Segundo ela, havia um aviso, mas a água começou a encher por volta das 10h da manhã, avançou durante a noite e, na manhã desta quinta, já tomava conta de tudo. "Veio muito rapidinho", relata. Ela diz que a família fica à mercê do vento, torce para que ele mude de direção e já começou a erguer talheres, tirar objetos do alcance da água e se preparar para uma saída de emergência.
Eldorado do Sul volta a se preparar
Em Eldorado do Sul, cidade devastada pela enchente de 2024, o nível do Rio Jacuí continua subindo, ainda que lentamente. Várias ruas, como as dos bairros Cidade Verde e Vila da Paz, já estão completamente alagadas. Moradores colocam móveis em locais mais altos ou retiram preventivamente o que podem de dentro de casa, para não perder tudo de novo.
A estudante Ana Luiza conta que a água começou a encher a rua às 5h da manhã e que já chegava ao portão da casa. Ela afirma que o rio está subindo rápido, e que já guardou as roupas e levantou os móveis.
Outro morador, seu Milton, diz que a chuva traz preocupação e estresse. Ele afirma que tem para onde ir, mas teme pelo que fica dentro de casa, já que não sabe a altura que a água vai alcançar.
Já a auxiliar de logística, Querlen, que vive perto do "carrinho", no fundo da rua, relata que de manhã ainda dava para caminhar pelo meio da via e que, quando voltou de levar a sobrinha à escola, a água já havia tomado conta. Geladeira, máquina de lavar e as coisas mais caras estão no segundo piso, e o que ficou embaixo foi erguido com andaime, cadeiras e isopor. Segundo ela, o plano de contingência da família está pronto, e a bota virou item indispensável: "De tanto me atolar, comprei a bota."















