Dois anos após enchente, escola de Porto Alegre segue alagada e perde 75% dos alunos
Quadra esportiva e laboratório continuam interditados; famílias denunciam riscos à saúde e cobram soluções
Guaíba no Ar|Do R7
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Mais de dois anos após a enchente histórica de 2024, a Escola Estadual Oscar Schmitt, na Região das Ilhas, em Porto Alegre, ainda enfrenta as consequências da tragédia climática. A quadra de esportes, o laboratório de ciências e outros espaços permanecem tomados pela água, impedindo a realização de atividades e oferecendo riscos à saúde de alunos e professores. Antes da enchente, a instituição atendia cerca de 200 estudantes. Hoje, são apenas 50, uma redução de 75%.
A situação foi mostrada em reportagem de Eduardo Pinzon e as imagens de Adilson Corrêa revelam água acumulada na quadra esportiva, que chega à altura dos joelhos, além de salas de aula e áreas de circulação sem condições de uso.
O problema se agrava nos dias de calor, quando o mau cheiro e a presença de mosquitos tornam o ambiente ainda mais insalubre.
Crianças ficam sem espaço para atividades físicas
Sem poder utilizar a quadra, os estudantes precisam improvisar brincadeiras e atividades no saguão da escola. Em dias de chuva, as opções ficam ainda mais limitadas.
A atendente Natali Silva lamenta os prejuízos para as crianças, que acabam permanecendo nas salas de aula e deixam de participar de atividades de educação física.
A auxiliar de limpeza Juliana de Moraes Galle também demonstra preocupação com a saúde dos alunos. Segundo ela, bolas utilizadas nas brincadeiras frequentemente caem na água suja, expondo as crianças ao risco de contato com a área alagada.
Durante a reportagem, a equipe da Record Guaíba flagrou uma aluna se arriscando para recuperar uma bolinha que havia caído na água.
Juliana relata, ainda, que, em dias de chuva intensa, a escola precisa liberar os estudantes mais cedo porque a água se acumula rapidamente, mesmo sem elevação significativa do rio.
Mau cheiro e mosquitos preocupam comunidade escolar
A diretora da escola, Maria Cristina de Oliveira Pinto, afirma que as condições atuais são insalubres. Além da água parada, a comunidade escolar convive com a presença constante de mosquitos e um forte odor de esgoto, especialmente nos dias quentes.
Segundo ela, uma das dificuldades para resolver o problema é a falta de alternativas para o escoamento da água, já que o terreno fica próximo ao rio.
A diretora explicou que chegou a discutir a possibilidade de abertura de um canal de drenagem, mas a localização da escola dificulta a adoção da medida.
A preocupação também é compartilhada pelas famílias. Mauro Adriano, pai de um aluno de dez anos, relata que pequenas elevações no nível do rio já dificultam o acesso de professores e estudantes à instituição, mesmo quando a parte mais alta da escola não é atingida.
Escola perdeu três em cada quatro alunos
A redução no número de matrículas é outro reflexo da situação enfrentada pela Escola Estadual Oscar Schmitt.
Antes da enchente de maio de 2024, a instituição atendia aproximadamente 200 alunos. Atualmente, são apenas 50 estudantes, acompanhados por uma equipe de 15 professores.
Além das dificuldades estruturais, a comunidade escolar convive com a limitação de espaços essenciais para o aprendizado, a prática esportiva e a convivência entre os alunos.
Estado e prefeitura avaliam soluções
Na quinta-feira (15), uma comitiva da Secretaria Estadual da Educação e da Prefeitura de Porto Alegre visitou a escola para avaliar as condições da estrutura e buscar alternativas para os problemas provocados pelos alagamentos. Ainda não foram informados prazos para a recuperação dos espaços interditados.
Enquanto aguardam providências, pais, professores e estudantes esperam que a instituição volte a oferecer condições adequadas de ensino, segurança e lazer.















