Mulher morta a tiros em Sapucaia do Sul é sepultada; ex-companheiro preso é suspeito de mandar cometer o crime
Kimberli Neves Gomes deixou quatro filhos; polícia investiga suspeita de ordem para o crime de dentro da prisão
Guaíba no Ar|Do R7
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O corpo de Kimberli Neves Gomes, de 32 anos, morta a tiros dentro de casa em Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi sepultado na tarde de segunda-feira (19). A Polícia Civil investiga a suspeita de que o assassinato tenha sido ordenado pelo ex-companheiro da vítima, que está no sistema prisional cumprindo pena por homicídio.
Segundo a investigação, Kimberli teria solicitado uma medida protetiva contra o suspeito, mas o pedido teria sido negado pela Justiça. As circunstâncias dessa decisão ainda precisam ser esclarecidas.
A vítima deixou quatro filhos, de 7, 10, 13 e 15 anos. Nenhum deles é filho do investigado. O casal manteve um relacionamento durante quatro anos, mas estava separado havia, aproximadamente, três meses.
Criminosos chegaram de carro e atiraram contra a vítima
Kimberli foi atacada na madrugada de domingo (18). Conforme a Polícia Civil, criminosos chegaram em um veículo e efetuaram disparos contra a mulher, que estava em casa.
Ela chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos.
Até o momento da reportagem, nenhum dos executores havia sido preso. A polícia trabalha para identificar os envolvidos e esclarecer a participação do ex-companheiro no assassinato.
Polícia investiga dois feminicídios recentes
O caso de Kimberli é investigado como feminicídio, assim como a morte de Natacha Rodrigues Mendes, de 21 anos, registrada em Porto Alegre no dia 13 de outubro. O companheiro de Natacha foi preso em flagrante.
Em entrevista á Record Guaíba, a delegada Waleska Alvarenga explicou que a Polícia Civil segue o protocolo nacional de investigação de feminicídios. A orientação é que mortes violentas de mulheres em contextos de violência doméstica, familiar ou de relações íntimas de afeto sejam inicialmente classificadas como feminicídio.
Caso as investigações demonstrem que o crime não teve essa motivação, a classificação pode ser alterada.
Segundo a delegada, as equipes responsáveis pelos dois casos continuam realizando diligências para esclarecer as circunstâncias das mortes.
Rio Grande do Sul registra 63 feminicídios em 2026
O Rio Grande do Sul contabiliza 63 feminicídios neste ano, conforme os dados apresentados pela delegada. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 68 casos.
Apesar da redução de cinco ocorrências na comparação entre os dois períodos, Waleska considera o número elevado e destaca a necessidade de fortalecer as políticas de prevenção.
A delegada lembrou que, em 2024, a legislação brasileira aumentou a pena para o feminicídio, mas ressaltou que o endurecimento da punição, por si só, não tem sido suficiente para impedir novos crimes.
Para ela, o enfrentamento da violência contra a mulher exige investimentos em educação, prevenção e fortalecimento da rede de proteção, além da atuação das forças de segurança.
Feminicídio pode ser o último episódio de uma sequência de violências
A delegada Waleska alertou que a violência contra a mulher muitas vezes começa com comportamentos que acabam sendo naturalizados ou silenciados dentro dos relacionamentos.
"O feminicídio não é o primeiro ato praticado por aquele homem, ele é o último ato de uma sequência de violência", afirmou a delegada.
Ela também chamou a atenção para a disseminação de discursos de ódio nas redes sociais e para a necessidade de envolver diferentes instituições no combate à violência de gênero.
A reportagem de Daiane Dalle Tese, exibida no Guaíba no Ar, acompanhou os desdobramentos do caso de Kimberli e trouxe os alertas da Polícia Civil sobre a violência contra as mulheres no Estado.















