Feminicídios deixam 101 filhos órfãos de mãe em 2026 no Rio Grande do Sul
Levantamento do Ministério Público aponta que 63 são menores de idade; instituições buscam ampliar rede de proteção
Rio Grande Record|Do R7
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A violência contra a mulher deixa consequências que ultrapassam as vítimas diretas dos crimes. No Rio Grande do Sul, 101 filhos perderam as mães em decorrência de feminicídios entre 1º de janeiro e 21 de outubro de 2026. Desse total, 63 são crianças ou adolescentes com menos de 18 anos, segundo levantamento do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).
No mesmo período, foram registrados 63 feminicídios no Estado. Além da perda da mãe, os filhos das vítimas precisam enfrentar mudanças na estrutura familiar, dificuldades emocionais e, muitas vezes, a necessidade de reconstruir a rotina sob os cuidados de outros responsáveis.
Crianças e adolescentes precisam de proteção e acompanhamento
Para discutir os impactos da violência e fortalecer o atendimento aos órfãos, o Ministério Público gaúcho promoveu um seminário voltado à proteção integral dessas crianças e adolescentes.
A coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Educação, Infância e Juventude (CAOEIJ), Cristiane Corrales, destacou que a morte da mãe pode provocar consequências profundas no desenvolvimento dos filhos, especialmente quando ocorre de forma violenta.
Segundo ela, um dos principais desafios é identificar onde estão essas crianças e adolescentes, quem assumiu a responsabilidade por seus cuidados e quais são suas necessidades.
A preocupação envolve questões como guarda, moradia, continuidade dos estudos, acompanhamento psicológico e acesso aos direitos básicos. Em muitos casos, a morte da mãe provoca mudanças de cidade, de escola e até a separação de irmãos que passam a viver com familiares diferentes.
Acordo reúne 24 instituições para ampliar atendimento
Durante o seminário, foi assinado um acordo de cooperação entre 24 instituições que integram o Comitê Estadual Interinstitucional de Proteção Integral de Crianças e Adolescentes em Orfandade.
A iniciativa busca fortalecer a articulação entre os órgãos responsáveis pelo atendimento, garantindo que os filhos das vítimas de feminicídio sejam identificados e recebam o acompanhamento necessário.
O Ministério Público já desenvolve ações nessa área por meio dos projetos Vidas que Ficam e Pedros e Marias, voltados ao acolhimento e à garantia de direitos.
A coordenadora do Centro de Apoio Operacional Criminal e de Acolhimento às Vítimas, Lisiane Veríssimo, explicou que o atendimento considera as necessidades específicas de cada família.
Entre as medidas estão encaminhamentos para atendimento psicológico e jurídico, orientação sobre pensões e auxílio para obtenção de vagas em escolas, especialmente quando os filhos precisam mudar de cidade após a morte da mãe.
O objetivo é evitar que as consequências do feminicídio provoquem novas situações de vulnerabilidade e garantir que crianças e adolescentes tenham condições de reconstruir suas vidas com proteção e apoio.















