Pelo SUS: Cirurgia robótica inédita no RS permite doação de rim entre irmãos
Procedimento pioneiro no Hospital de Clínicas de Porto Alegre une tecnologia e solidariedade entre irmãos
Rio Grande Record|Do R7
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O amor entre irmãos e um avanço da medicina marcaram a realização de um procedimento inédito no Rio Grande do Sul. Pela primeira vez no Estado, a retirada de um rim de um doador vivo para transplante foi realizada com auxílio de um robô. A cirurgia ocorreu no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e permitiu que o empresário Maiquel Cristiano Tatsch da Silva, de 41 anos, recebesse um rim doado pela irmã, Daniela Michele Tatsch da Silva.
Maiquel já havia passado por um transplante em 2009, quando recebeu o órgão de um doador falecido. O rim funcionou durante 16 anos, mas, no ano passado, deixou de funcionar adequadamente. O empresário precisou voltar à hemodiálise, tratamento que realizou durante um ano.
A notícia foi difícil para a família, mas Daniela decidiu ajudar o irmão. Ela se ofereceu para doar um dos próprios rins e dar a Maiquel uma nova oportunidade de viver sem depender da hemodiálise.
"Eu sempre tive para mim que poderia salvar a vida dele. Ele é muito importante", contou Daniela, emocionada, durante entrevista à repórter Daiane Dalle Tese, no Rio Grande Record.
Tecnologia garante mais precisão e recuperação mais rápida
A retirada do rim de Daniela foi realizada por meio de cirurgia robótica, técnica que permite movimentos mais precisos e uma abordagem menos invasiva. Segundo o coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do HCPA, Lucas Burttet, a tecnologia oferece imagens tridimensionais e instrumentos delicados, que auxiliam o trabalho dos cirurgiões.
O médico explica que o robô não realiza a operação de forma autônoma. Todos os movimentos são comandados pelo profissional, que opera o equipamento a partir de um console. Durante o procedimento, outro cirurgião permanece junto ao paciente, prestando assistência.
No caso do transplante entre pessoas vivas, duas equipes trabalham simultaneamente. Mais de 15 profissionais participaram diretamente das etapas de preparação, cirurgia e acompanhamento pós-operatório.
A expectativa do Hospital de Clínicas é realizar pelo menos 12 cirurgias robóticas por semana, contemplando outras cinco especialidades médicas.
Solidariedade que salva vidas
Para Maiquel, a cirurgia representa mais do que um avanço tecnológico. Depois de enfrentar dois transplantes e um longo período de tratamento, ele destaca a importância da doação de órgãos.
O empresário lembra que o primeiro rim transplantado funcionou por 16 anos e que a decisão da irmã lhe ofereceu uma nova oportunidade.
"Tem que doar órgãos. Salva vidas. É muito importante a doação de órgãos", afirmou.
Daniela também destacou a importância do gesto e o desejo de ajudar o irmão a recuperar a qualidade de vida.
A história dos dois mostra como os avanços da medicina podem transformar vidas, especialmente quando estão associados à solidariedade. No Hospital de Clínicas de Porto Alegre, a tecnologia robótica abriu um novo caminho para os transplantes no Estado, enquanto o gesto de Daniela reforçou a importância da doação de órgãos.
















