Setembro Verde: RS já realizou mais de 1.600 transplantes, em 2026, e reforça importância da doação de órgãos
Setembro é o mês de conscientização sobre a doação de órgãos, o chamado Setembro Verde. A campanha reforça a importância de conversar com a família e deixar claro o desejo de ser doador.
Rio Grande Record|Do R7
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No Brasil, a doação só pode ser efetivada com a autorização dos familiares após a morte do paciente. Neste ano, o Rio Grande do Sul lançou a campanha estadual "O Amor Vive", com apoio do governo do Estado e de outras instituições públicas.
No Rio Grande do Sul, mais de 1.600 transplantes já foram realizados desde janeiro. E, para quem espera por um órgão, a autorização da família pode representar uma nova chance de vida.
"Foi um baque", diz aposentado que recebeu coração há 10 meses
Há mais de dez anos, Roberto da Silva Mendes descobriu que o cansaço que sentia era sintoma de um grave problema cardíaco: o coração funcionava com apenas 17% da capacidade. Roberto foi aposentado por invalidez e viu a vida virar do avesso. "Foi um baque", resume.
Em 2023, ele entrou na fila por um transplante. Em dezembro do ano passado, surgiu um coração compatível - e a cirurgia representou a chance de recomeçar uma vida que parecia ter parado. Hoje, Roberto conta que um dos maiores presentes é poder acompanhar o crescimento do filho.
Autorização da família ainda é o maior obstáculo
No Brasil, a família precisa autorizar a doação de órgãos após a morte, o que faz da conversa em vida um passo importante para facilitar essa decisão. Atualmente, o índice de recusa familiar chega a 45%, segundo Marcelo Hartmann, médico e superintendente geral da Unimed Porto Alegre - patamar semelhante à média nacional, que também gira em torno de 45%, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes.
Uma das principais dúvidas das famílias, na hora de autorizar a doação, envolve a morte encefálica, condição irreversível que representa a parada das funções do cérebro. Quando a doação é autorizada, a Central de Transplantes busca pacientes que atendam aos critérios técnicos para receber o órgão, e um único doador pode beneficiar mais de uma pessoa - segundo especialistas, uma única doação pode salvar até oito vidas, entre coração, fígado, rins, pâncreas e pulmões.
Segundo transplante para jovem com doença renal
Karina Capuano, advogada, também conhece a espera por uma nova chance. Aos 21 anos, uma crise de pressão alta acendeu o alerta para uma doença renal. Desde então, ela já passou por dois transplantes de rim. Entre um e outro, nova espera na fila e sessões de hemodiálise. Hoje, com 37 anos, casada e uma filha, ela - portadora de uma doença autoimune – conhece a importância de as pessoas conversarem com suas famílias sobre o desejo de doar órgãos.
Fila ainda é longa no Rio Grande do Sul
No Estado, de janeiro até o começo de setembro, foram mais de 1.600 transplantes de órgãos e tecidos, sendo 381 só de rim. Mas para muitos a fila ainda é longa: cerca de 1.500 pessoas aguardam por um rim no Rio Grande do Sul. Em 2025, o Estado havia fechado o ano com 2.446 transplantes realizados, um aumento de 8% em relação a 2024.
O Dia Nacional de Doação de Órgãos é celebrado em 27 de setembro - data para lembrar que, por trás de cada transplante, existe uma família que, mesmo diante da dor da despedida, escolheu dizer sim.















