Torcedor do Grêmio flagrado imitando macaco em Gre-Nal presta depoimento e nega intenção racista
Polícia contesta versão da defesa e investiga também possível exposição do filho de oito anos a constrangimento
Rio Grande Record|Do R7
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O torcedor gremista Leonardo Soares Conceição, de 29 anos, flagrado fazendo gestos semelhantes aos de um macaco em direção à torcida do Internacional, durante o Gre-Nal do domingo (11), prestou depoimento à Polícia Civil nesta quarta-feira (14), em Porto Alegre. Acompanhado de um advogado, ele negou ter tido a intenção de praticar racismo e afirmou que reagiu a provocações de torcedores colorados. A justificativa, no entanto, foi contestada pelo delegado responsável pela investigação, que falou ao repórter Eduardo Pinzon.
Leonardo chegou à Delegacia de Combate à Intolerância com o rosto coberto por um casaco. Segundo a defesa, ele recebeu ameaças pelas redes sociais após a divulgação das imagens. O depoimento durou aproximadamente 30 minutos.
O advogado dele, Lucas Bianchi reconheceu que a atitude foi inadequada, mas sustentou que o cliente não teve intenção discriminatória. Segundo ele, o gesto teria sido uma reação a provocações da torcida adversária, considerando que parte dos torcedores do Internacional utiliza referências ao macaco como símbolo de identificação.
Bianchi também argumentou que Leonardo é pardo, tem esposa negra e filhos pardos. Para a defesa, essas circunstâncias reforçariam a ausência de intenção racista. O advogado afirmou ainda que o torcedor reconhece a inadequação da atitude e compreende que o gesto ofendeu parte dos colorados. Polícia contesta justificativa
O delegado Vinicius Nahan, responsável pelo caso, afirmou que a explicação apresentada pelo investigado não afasta a possibilidade de crime de racismo.
Segundo o delegado, Leonardo admitiu ter imitado um macaco, mas alegou que o objetivo era provocar os torcedores adversários. Para Nahan, esse tipo de comportamento não é mais socialmente aceitável, independentemente da justificativa apresentada.
A Polícia Civil pretende ouvir testemunhas que presenciaram o episódio ou registraram imagens durante a partida, disputada na Arena do Grêmio.
O clube entregou à investigação gravações das câmeras de segurança do estádio. De acordo com o delegado, as imagens não acrescentaram, até aquele momento, elementos significativos aos vídeos já divulgados por torcedores. A intenção é esclarecer também o que aconteceu antes do gesto registrado.
Defesa pede investigação de possíveis ofensas homofóbicas
Durante a entrevista, o advogado Lucas Bianchi afirmou que torcedores do Internacional também teriam feito provocações de cunho homofóbico, com referências à Coligay, histórica torcida gremista formada por integrantes da comunidade LGBTQIA+.
Segundo Bianchi, o investigado teria sido alvo dessas provocações antes de realizar os gestos. O advogado defendeu que eventuais manifestações homofóbicas também sejam apuradas pela Polícia Civil e afirmou que nenhuma forma de discriminação deve ser tolerada nos estádios.
A alegação apresentada pela defesa não foi confirmada pela investigação no material divulgado até o momento.
Presença do filho também é investigada
Além da suspeita de racismo, a Polícia Civil apura uma possível infração ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Leonardo estava acompanhado do filho de oito anos, que também aparece nas imagens divulgadas nas redes sociais.
Segundo o delegado, a conduta do pai pode ter exposto a criança a uma situação vexatória, hipótese que será analisada durante a investigação.
A polícia informou, ainda, que Leonardo possui antecedentes criminais por homicídio e tráfico de drogas, tendo cumprido pena anteriormente.
O Grêmio comunicou que o torcedor foi suspenso preventivamente e teve o cadastro bloqueado. O clube também disponibilizou as imagens de monitoramento para auxiliar na apuração. A previsão informada pela Polícia Civil era concluir o inquérito até o final da semana.
















