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Amor e possibilidades de emprego atraem estrangeiros para São Paulo

Dos 48% dos habitantes da capital que não nasceram na cidade, 3% são estrangeiros

São Paulo|Ana Ignacio, do R7

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Rafael, Nelly e Mônica Villanueva, María Blanca Braga (centro) e o casal Alan e Marzena
Rafael, Nelly e Mônica Villanueva, María Blanca Braga (centro) e o casal Alan e Marzena

Com um ano de casados, Mônica e Rafael Villanueva resolveram deixar o Peru, terra natal dos dois. Em 1990, o país passava por uma grande crise e, assim como boa parte da família, o casal mudou de endereço. Enquanto os pais de Rafael foram para o Canadá, os dois resolveram trilhar um caminho mais curto.

— Viemos para cá por causa do terrorismo no Peru. Era difícil viver normalmente no país, era quase uma guerra civil. Uma das minhas irmãs estava casada com um brasileiro, então fomos para São Paulo. Não sabíamos o que íamos fazer e se ia dar certo.


Mais de 20 anos depois, eles não pensam em morar em outra cidade. Há cerca de seis anos, os dois trabalham juntos, na mesma empresa, na área de tradução. Mônica, 47 anos, e Rafael, 57, estudaram em São Paulo, encontraram trabalho e tiveram uma filha paulistana, Nelly.

— Quando olho para trás, penso: que bom que viemos para cá. Quando chegamos era uma coisa super legal, bonito, fácil, era uma cidade muito maior do que a nossa, aqui era tudo multiplicado por mil, as expectativas, as possibilidades de serviço.


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Mônica e Rafael fazem parte dos 42% de habitantes da capital paulista que não nasceram na cidade, segundo pesquisa divulgada pela Rede Nossa São Paulo. O levantamento indica, ainda, que desta parcela 82% moram na capital há mais de anos.


É o caso, também, de María Blanca Braga. Em São Paulo desde 1987, Blanca, nativa de Montevidéu, no Uruguai, se mudou para a capital paulista quando seu marido na época, nascido na Argentina, recebeu uma proposta para trabalhar na extinta Varig como piloto de avião. Os dois se mudaram para São Paulo junto com seu filho pequeno. O choque foi grande.

— Fiquei assustada. Sempre morei perto da praia, achava São Paulo muito grande, achava que ninguém dava bola para ninguém, eu não falava a língua... estanhei muito.

No começo, Blanca ia para Montevidéu sempre que possível. Trazia até mesmo os temperos da terra natal. Aos poucos percebeu que precisava se desligar um pouco do Uruguai para conseguir se adaptar à nova vida e à nova cidade. 

— Tive que esquecer as coisas de lá. Hoje, já morei mais tempo aqui do que na minha cidade. Gosto do movimento, tem de tudo para fazer, possibilidades de emprego. Comecei a dar aulas de espanhol aqui, engravidei de novo. Criei raízes.

Gostos nativos

Segundo a pesquisa da Rede Nossa São Paulo, dos 42% que não nasceram em São Paulo, 3% são estrangeiros. Não há um levantamento oficial que indique isso, mas é possível perceber que boa parte deles acabam em São Paulo por um motivo: o amor aos paulistanos.

A polonesa Marzena Gios e o britânico Robert Astley-sparke toparam mudar de continente para morar com seus companheiros. Há dois anos em São Paulo, Marzena conheceu seu marido em Londres, em 2004.

— Ficamos seis anos em Londres, depois nos casamos na Polônia e decidimos nos mudar para o Brasil. Eu estava muito apavorada, tinha muito medo de morar aqui, mas depois de um tempo você entende como funciona e está tudo certo. As pessoas são muito amigáveis, a comida é maravilhosa, o tempo é maravilhoso.

Fã de coxinha e feijão, Marzena aprecia os bares e gosta do movimento da cidade. Mora perto de seu trabalho e faz, sem demora, o percurso de ônibus. Sabe que tem sorte e admite que não pode reclamar de um dos grandes maus da cidade.

— Não sei o que significa isso em São Paulo.

Para Robert, a experiência foi diferente. O fotógrafo britânico esteve na capital em 2002 para a São Paulo Fashion Week e já tinha grande simpatia pela cidade. Em 2009, “arranjou” um motivo para vir de vez.

— Minha esposa é brasileira e eu amo São Paulo. Quando em mudei, há cerca de três anos, eu já conhecia a cidade, já tinha amigos em São Paulo e gosto muito de cidades assim.

Assim como Marzena, Robert também é fã da comida de São Paulo e já se sente totalmente adaptado à cidade.

— Eu ficarei aqui para sempre. Eu gosto de Londres, da minha cidade, mas não sinto falta. Eu sinto falta de São Paulo.

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