Após "aerotrem”, Levy Fidelix quer ser “candidato do Mourão”

Fundador e presidente do PRTB foi confirmado como candidato à Prefeitura de São Paulo na convenção da sigla nesta segunda-feira (31)

Levy Fidelix, candidato do PRTB à Prefeitura de São Paulo em 2020

Levy Fidelix, candidato do PRTB à Prefeitura de São Paulo em 2020

ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO

     
O “candidato do aerotrem” em São Paulo quer ser neste ano o “candidato do Mourão”. Fundador e presidente do PRTB, partido do vice-presidente da República, Levy Fidelix foi confirmado nesta segunda (31) candidato a prefeito da capital na convenção da sigla.

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Depois de ficar conhecido por insistir na ideia do monotrilho suspenso como solução para o transporte público em São Paulo, Levy chega às eleições 2020, sua quinta tentativa de se eleger prefeito, buscando se associar à figura de Hamilton Mourão, seu principal trunfo depois de 14 eleições concorridas (e nenhuma vitória) para diferentes cargos até aqui.

“Muito nos honra ter Mourão com a gente. É um dos grandes diferenciais que no passado não tínhamos em nossas candidaturas”, diz Levy. “Temos um grande estímulo de ordem nacional, um verdadeira estadista que pensa pelo país. Será um diferencial excepcional.” Ele informou que estará em Brasília no próximo fim de semana com candidatos do PRTB de outros 17 Estados para gravar materiais de campanha com o vice-presidente.

Levy diz respeitar a decisão anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro de não se manifestar a respeito de candidaturas na eleição municipal, mas lembra que o “ajudou” no passado recente, quando firmou a parceria com o PSL para a chapa Bolsonaro/Mourão em 2018. “A pedido dele, proporcionamos a ida de Mourão, então nos sentiremos confortáveis se ele se manifestar no mesmo sentido. Ou seja: eu o ajudei no passado, espero reciprocidade no momento que ele assim desejar.”

O candidato do PRTB afirma ter muita sinergia com bandeiras do bolsonarismo, mas se define como “conservador-raiz, não radical”. Levy credita as derrotas em todas as eleições que concorreu até aqui ao poder econômico e político de seus adversários. Para ele, a campanha deste ano, com forte presença online por causa da pandemia do coronavírus, pode fazer essas vantagens desaparecerem. “As diferenças eram gigantescas. Era como se eu tivesse um bodoque e eles um canhão. A pandemia fará o (papel de) divisor (de águas). A internet será a válvula propulsora.”

Nas redes sociais, Levy tem atacado durante transmissões ao vivo possíveis adversários na corrida eleitoral, como o atual prefeito Bruno Covas (PSDB) e Márcio França (PSB). Também distribui críticas ao governador João Doria (PSDB) e a ex-prefeitos de São Paulo, como Gilberto Kassab (PSD), Fernando Haddad (PT), Marta Suplicy (Solidariedade), José Serra (PSDB) e Geraldo Alckmin (PSDB). “Quero demonstrar à sociedade que houve um erro nessas escolhas do passado.”

Levy tem como parceiro de chapa o advogado Jairo Glikson, repetindo a composição de 2016. O PRTB homologou em sua convenção 69 candidatos a vereador. As escolhas ainda precisam ser homologadas pelo Tribuna Superior Eleitoral (TSE). “O projeto que conquistou o País nas últimas eleições vem adotando sugestões nossas, como a desoneração dos impostos para remédios e itens da cesta básica”, disse Levy na convenção. “Em São Paulo, fizeram o Rodoanel, que é ideia nossa. Estou certo de que o eleitor reconhecerá a nossa candidatura com a melhor para a capital paulista.”

Polêmica

As tentativas de Levy se eleger incluem duas candidaturas a presidente, duas a governador e tentativas de se eleger vereador e deputado federal. Em 2000, chegou a ser anunciado como vice do então pré-candidato a prefeito de São Paulo Fernando Collor, mas a chapa teve seu registro negado pela justiça eleitoral. Em 2010, derrotado na corrida presidencial, apoiou Dilma Rousseff (PT) no 2º turno. Quatro anos depois, quando apostou no discurso conservador, decidiu apoiar Aécio Neves (PSDB) contra a petista no 2º turno.  

Levy protagonizou uma polêmica na eleição presidencial de 2014 ao atacar homossexuais durante um debate. “Aparelho excretor não reproduz”, disse o então candidato. As declarações foram consideradas por entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) como discurso de ódio. Ele chegou a ser condenado em primeira instância a pagar R$ 1 milhão por danos morais a movimentos LGBT, mas a sentença foi suspensa no Tribunal de Justiça de São Paulo após recurso da defesa de Levy.