Após dois anos, polícia faz reconstituição de morte de jovens por PMs
Eles voltavam da escola; testemunhas dizem que rapazes não estavam armados e não reagiram
São Paulo|Do R7, com Fala Brasil

Dois jovens foram baleados e mortos durante uma abordagem policial em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. O crime aconteceu há dois anos. Mas só na noite de quarta-feira (23) foi feita a reconstituição do caso. Quem viu o que aconteceu disse que policiais atiraram sem motivo nenhum.
A reconstituição da abordagem policial que terminou com a morte de Douglas Silva e do amigo, Felipe Macedo Pontes, ambos com 17 anos, chegou a bloquear o trânsito em São Bernardo do Campo. As duas pessoas que viram o momento da ação mostraram aos peritos como tudo aconteceu. Como estão protegidas pela Justiça, elas participaram da reconstituição com o rosco coberto.
Antes delas, os policiais militares, que seguem trabalhando normalmente, também refizeram, segundo a versão deles, a abordagem do dia 30 de novembro de 2011. O pai de Douglas, José Valdo Silva, criticou a versão dos policiais.
— Eu tenho testemunhas que me realataram a cena e o que eles fizeram ali, o teatro que eles fizeram ali, é totalmente contestável.
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O caso
Menor de idade, Felipe foi de moto buscar Douglas na escola. Na volta, foram parados pelos policiais. Mesmo sem reagir, eles foram baleados nas costas. Na versão da polícia, os dois estavam armados. Felipe morreu antes de chegar ao hospital e Douglas, que saiu vivo do local, só deu entrada no hospital já morto duas horas depois.
Desde o dia do crime até a reconstituição passaram quase dois anos. Agora, a Polícia Civil pretende concluir o inquérito em até 60 dias. O Ministério Público adiantou que os policias militares podem ser denunciados por duplo homicídio. A promotora do caso, Thelma Thaís Cavarzere, que acompanhou a reconstituição, viu contradições graves no relato dos policiais.
— Os policiais militares dizem que havia armas nas mãos dos rapazes. Já as duas testemunhas dizem que não havia armas nas mãos dos meninos.
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