São Paulo Após quase morrer por Covid, idosa decide pular de paraquedas em SP

Após quase morrer por Covid, idosa decide pular de paraquedas em SP

Marina Tikhomiroff ficou 33 dias internada pela doença e, depois de enfrentar dificuldades na recuperação, decidiu realizar o sonho

  • São Paulo | Isabelle Amaral*, do R7

Mulher de 80 anos realiza o sonho de pular de paraquedas no interior de SP

Mulher de 80 anos realiza o sonho de pular de paraquedas no interior de SP

Reprodução/Go Fly - 14.04.2022

Após ter ficado 33 dias internada por Covid-19, em abril do ano passado, a aposentada Marina Tikhomiroff, de 80 anos, decidiu celebrar seu "renascimento". Ela resolveu se aventurar com a filha e pular de paraquedas, em Boituva, no interior de São Paulo, depois de se recuperar da doença.

Em entrevista ao R7, a filha de Marina, Ana Tikhomiroff, disse que se sentiu apreensiva e feliz em compartilhar o momento com a mãe. Ana disse que havia realizado o esporte há mais de 20 anos e que tinha ficado na cabeça da mãe. Depois de quase morrer em decorrência da Covid, a idosa decidiu desafiar a filha a saltar novamente, mas dessa vez, juntas. “Ela achou que eu a impediria por conta da idade e devido a tudo que passou, mas na hora eu falei: vamos, estou com você. Vamos viver este sonho juntas”, afirmou a filha.

Ana, que é esportista nata e adora compartilhar suas aventuras nas redes sociais, incentivou o sonho da mãe, mas disse que ficou preocupada no momento em que viu a idosa saltar. As duas estavam no mesmo avião, mas Marina pulou primeiro, enquanto a filha esperava sua vez. “Eu vi o pouso dela e uma equipe correr até lá. Na hora me deu um medo, mas quando a vi levantar, respirei aliviada”, desabafou Ana.

Marina fez todo o trajeto confiante, conversava e ria com as pessoas que estavam no local. No momento salto, entretanto, chegou a ficar receio. Ainda assim, a aposentada diz que não pensou em desistir. 

A filha apoiou o sonho da mãe, de 80 anos, de pular de paraquedas

A filha apoiou o sonho da mãe, de 80 anos, de pular de paraquedas

Reprodução/arquivo pessoal - 14.04.2022

A filha acredita que a mãe não teria coragem de ter saltado se não tivesse passado pela experiência de quase morte e acredita que Marina tenha conseguido realizar esse sonho não apenas por ter vencido a Covid e passado por uma dura reabilitação, mas por toda sua história. Ela relata que a mãe perdeu o marido cedo, fez faculdade de direito e passou na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). “Se eu já tinha orgulho dela, hoje tenho muito mais”.

Antes de se aventurar com a mãe, Ana revelou que a levou no médico para saber se ela tinha condições físicas e emocionais para realizar a atividade. Com a permissão dos profissionais, as duas seguiram em direção à Boituva e se aventuraram pelos ares.

Após a repercussão da história, Marina diz que muitas pessoas questionaram, por meio das redes sociais, o fato de a aposentada ter enfrentado uma experiência de quase morta e agora escolher uma atividade desafiadora. O conselho da aposentada é que as pessoas sempre apoiem os sonhos e vontade dos outros. “Minha mãe viveu um sonho e uma emoção, e isso a gente só sabe fazendo, então não dá para julgar ninguém”.

Experiência de quase morte e recuperação da Covid-19

Marina Tikhomiroff foi internada por complicações da Covid-19 no dia 13 de abril de 2021 e após 33 dias teve alta. A filha revela que ela saiu do hospital de cadeira de rodas e sem conseguir andar, pois ficou totalmente sem músculo na perna.

Mesmo após a alta médica, a idosa precisou de diversos cuidados médicos e a filha optou por levá-la para casa dela e acompanhar a recuperação da mãe de perto. “Precisamos contratar uma cuidadora para ficar com ela 24h”, informou. Além disso, a idosa passava por fisioterapia cinco vezes por semana e foi diminuindo a frequência com as constantes melhoras, até ela conseguir ganhar músculos e não precisar mais do auxílio da cadeira de rodas.

Marina, de 80 anos, passou 33 dias internada

Marina, de 80 anos, passou 33 dias internada

Reprodução/@ana_tikhomiroff

A filha revelou, ainda, que a mãe precisava tomar banho na cadeira pois não conseguia se equilibrar, se enxugar ou fazer as coisas com mais autonomia. “Ela ficou desanimada, achou que não ia voltar a andar ou fazer as coisas dela. Ela sempre foi uma pessoa independente e, de uma hora para outra, se viu ali totalmente dependente.”

Após três meses na casa da filha e sob cuidados de profissionais, a idosa voltou para casa e pode realizar seus afazeres e, com saúde, como desejava.

*Estagiária sob supervisão de Fabíola Perez

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