Após quase ser atropelada por lavar calçada, mulher desabafa: daqui a pouco, vão matar por água
Vítima, que escapou por pouco, fazia a limpeza com água da máquina de lavar
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7
A crise hídrica parece estar deixando os nervos de alguns moradores de São Paulo à flor da pele. Em Araçatuba, no interior do Estado, uma motorista quase atropelou uma enfermeira de 40 anos, porque a mulher lavava a calçada. A versão foi relatada à polícia pela vítima, que registrou boletim de ocorrência na delegacia. A suspeita ainda não foi localizada, mas já se sabe que seria uma dentista, segundo a enfermeira. O caso aconteceu nesta quarta-feira (4), no bairro Morada dos Nobres.
Em entrevista ao R7, a vítima, que preferiu não se identificar, destacou que limpava a calçada com a água da máquina de lavar. Disse ainda que precisou saltar para não ser atropelada. O veículo atingiu o balde.
— Ela passou na rua lateral, deu volta no quarteirão e parou do meu lado. Eu estava esfregando minha calçada. Ela falou assim: “Você está gastando água. Não vê que a água do mundo está acabando?” Nisso, ela avançou com o carro em cima de mim.
De acordo com a enfermeira, ela e a suspeita não se conheciam, e a identificação só foi possível porque a sobrinha da vítima anotou a placa do veículo.
— Nunca tinha visto essa mulher. Ela deve ser louca. Todo mundo está desesperado porque vai faltar água. Mas será que a empregada dela não gasta mais água do que eu? Não justifica. Se ela tivesse parado, conversado comigo, tudo bem.
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A vítima destacou que, com a crise hídrica, passou a economizar água. Ainda se refazendo do susto, ela revelou que se sentiu invadida diante da atitude da motorista. Pouco antes, a mulher teria filmado a enfermeira.
— Limpava meu quintal todos os dias. Mas com a crise da água, tenho consciência [...] Eu me senti invadida e assustada [ao ver o carro indo na direção dela]. Daqui a pouco, vão matar um por causa de um galão de água [...] Ela não é fiscal. Ela não é ninguém para vir me interpelar.
A enfermeira completou:
— Juro que eu queria perguntar para ela: “O que passou pela sua cabeça?” Se ela está louca ou tem algum problema, eu não tenho culpa. Se ela está desesperada porque a casa dela não pode ficar sem água, eu não tenho culpa. Ela que vá para Brasília, que vá conversar com o governador. Sobe no céu e conversa com São Pedro.













