São Paulo Após ser tomada pelo 'fluxo', Praça Princesa Isabel é revitalizada

Após ser tomada pelo 'fluxo', Praça Princesa Isabel é revitalizada

Depois de três meses de obras e R$ 2 milhões, a praça foi revitalizada por uma empresa privada, que também fará a manutenção do espaço

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Praça Princesa Isabel é revitalizada depois de três meses de obras

Praça Princesa Isabel é revitalizada depois de três meses de obras

Agência Estado/Tiago Queiroz

Um ano após a Praça Princesa Isabel ser tomada pelo "fluxo", como é chamada a concentração de usuários de drogas da Cracolândia, na região central de São Paulo, a prefeitura entregou nesta sexta-feira (11) a revitalização do espaço, com bancos novos, pista de corrida, quadra poliesportiva e Espaço Pet.

As obras, feitas por uma empresa privada que também será responsável pela manutenção do lugar por 12 meses, duraram cerca de três meses a custo de R$ 2 milhões.

O evento de inauguração aconteceu na manhã de sexta. "Quanto mais a gente tiver — e a gente vem verificando (a presença de) famílias, crianças, idosos - quanto mais se apropriarem da praça menor vai ser a possibilidade de ela voltar a ser utilizada com foi utilizada antes", disse o prefeito Bruno Covas (PSDB).

Com área de 16,6 mil m², que já foi hipódromo recebeu corridas de cavalo até 1876, a Praça Princesa Isabel chegou a virar a "Nova Cracolândia" no ano passado. Em maio de 2017, uma megaoperação policial no "quadrilátero da droga", então formado pela Alameda Dino Bueno com a Rua Helvétia, expulsou usuários e traficantes do antigo fluxo. Com a ação, os dependentes químicos se instalaram na Princesa Isabel, a 500 metros de distância do lugar original, onde montaram tendas e barracas.

Na época, moradores e comerciantes do entorno da Praça reclamaram de degradação e abandono, além de denunciarem furtos e roubos que seriam praticados por frequentadores da Cracolândia. No entanto, um mês depois, em junho, o "fluxo" deixou a Princesa Isabel e voltou para o território antigo, onde permanece até hoje, com cerca de 400 pessoas durante o dia e até 800 à noite, segundo a Prefeitura.

"Quando acontece uma coisa boa na região, a gente tem de comemorar muito", afirmou Iézio Silva, presidente da Associação dos Moradores e Comerciantes de Campos Elísios. "Era como se os moradores estivessem no regime semiaberto. Só podia sair para trabalhar, depois tinha de ficar trancado em casa."

Revitalização

Na manhã desta sexta-feira (11), crianças, acompanhadas dos pais, brincavam no parquinho da praça. Outros novos frequentadores aproveitavam para descansar à sombra das árvores, sentados nos bancos reformados. Recém-implantados, os aparelhos de ginástica também são aproveitados de jovens a idosos.

Pela área da praça, guardas-civis e policiais militares faziam ronda. Uma nova base da PM também foi construída no local e é aposta da gestão municipal para que garantir a segurança dos presentes. No época que foi ocupada pelo "fluxo," a Princesa Isabel tinha duas bases móveis da PM, o que não impediu os usuários de passarem um mês acampados lá.

A reportagem esteve na Princesa Isabel na última quarta-feira (9), e viu agentes de segurança abordarem usuários de droga que estavam no local. Pediam documentos e depois liberavam. Por volta das 10 horas, havia 17 moradores de rua dormindo no gramado da praça revitalizada. Nesta manhã, dia marcado para a inauguração, não havia nenhum.

Segundo Bruno Covas, desde a megaoperação do ano passado, mais de 1 mil pessoas foram presas na região por suspeita de tráfico. "A gente precisa lembrar que foram mais de 5 mil internações feitas na área da saúde", disse. "É uma questão não apenas de cuidar dos espaços mas, acima de tudo, destas pessoas e demonstrar a elas que há uma saída."

Na opinião do prefeito, a Cracolândia é um "problema crônico". "Não podemos ainda comemorar o fim de uma área degradada como a Cracolândia, mas acho que cada vez mais a gente vem tendo pequenas conquistas". afirmou. "Lá na frente, a gente vai poder comemorar isso."

A dona de casa Jaqueline de Jesus, de 47 anos, comemorou a revitalização. "Tenho fotos minhas de criança brincando nesta praça com minha mãe", disse a moradora do Campos Elísios, que começou a passear duas vezes por dia com o seu cachorro Nico, na Praça. "Eu chego 21 horas, 22 horas e me sinto segura", contou. "Sempre saí com receio, agora parece um sonho."

Há 25 anos dono de uma banca de revista na Princesa Isabel, Daniel de Souza, de 61, é mais reticente. "Os usuários de drogas afastam as famílias", disse o comerciante. "Pelo tempo que estou aqui, acho que não vai dar certo", afirmou. "Começou a movimentar, mas na hora que os pais virem os moradores de rua e os usuários na praça, não vão querer voltar."

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