São Paulo App de transporte bane 730 pessoas por semana por assédio sexual

App de transporte bane 730 pessoas por semana por assédio sexual

Casos de assédio sexual representam 23% das denúncias feitas à 99, sendo que 51% contra passageiros e 49% contra motoristas

  • São Paulo | Joyce Ribeiro, do R7

99 bane da plataforma 730 pessoas por semana por assédio sexual em viagens

99 bane da plataforma 730 pessoas por semana por assédio sexual em viagens

Pixabay

Casos de assédio sexual provocam, por semana, o banimento de 730 pessoas, entre motoristas e passageiros, da empresa de transporte por carros de aplicativo 99, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (9).

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Segundo a companhia, 59% dos casos de segurança poderiam ser evitados se houvesse respeito entre as partes. Os casos de assédio sexual representam 23% das denúncias, sendo que 51% contra passageiros e 49% contra motoristas.

O motorista Lupércio Datilo revelou que foi assediado por um passageiro que sentou no banco da frente e colocou a mão na perna dele. Apesar de o homem insistir que não tinha segundas intenções, o motorista afirmou que a situação se repetiu até o encerramento da corrida.

Em outra viagem, uma mulher que teria usado drogas o convidou a entrar na casa dela mesmo sabendo que o condutor era casado. Segundo Lupércio, as duas ocorrências foram relatadas a 99: "Me senti constrangido".

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Em parceria com o Instituto Ethos, a empresa lançou um guia com orientações para motoristas e passageiros com o intuito de evitar situações como assédio sexual, agressões físicas e verbais e discriminação contra a comunidade LGBTQI+, negros, pessoas com deficiência, entre outros.

A diretora de comunicação da 99, Pamela Vaiano, explicou que os rastreadores de comentários priorizam os casos de assédio. "É feito o bloqueio preventivo da pessoa enquanto a situação é averiguada e também é solicitado o boletim de ocorrência. O agressor é banido da plataforma e a vítima é acolhida. É oferecido apoio psicológico e jurídico", afirma.

Números

De acordo com um levantamento feito pela empresa, 14% das denúncias registradas na plataforma são de agressão verbal, sendo 73% contra motoristas, e outras 7% por agressão física. Novamente 81% das vítimas são os condutores.

As discriminações, como racismo e LGBTFobia, totalizam 4% dos casos, sendo que 69% das vítimas são passageiros.

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Eliseu Neto é psicólogo e assessor legislativo e foi vítima de discriminação em Recife durante as férias por ser homossexual. Ele foi agredido por um policial e levado até ele pelo motorista da 99. O caso ganhou repercussão, está também na Corregedoria e o condutor foi banido. "Esta é uma luta cultural, daí a importância de a gente denunciar. Perdi uma semana de férias relatando a agressão. As pequenas lutas vão mudando o país", ressalta.

De acordo com a empresa, 99% das viagens terminam tranquilamente. Na plataforma há 20 milhões de pessoas e 750 mil motoristas parceiros que atuam em 1.600 cidades do país.

Pesquisa

Os motoristas e passageiros foram perguntados sobre o que é aceitável nas corridas e há diferenças que chegam a 851%, como é o caso do não pagamento de viagens. Há ainda solicitações ilegais como parar em local proibido e pedi para transportar mais pessoas do que o permitido.

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Outras condutas são comportamentais, como entrar sujo ou bêbado no carro, bater a porta, deixar o motorista esperando ou comer durante a corrida.

O desrespeito a regras de trânsito é o que mais incomoda passageiros. Entre as infrações estão dirigir em alta velocidade, passar sinal vermelho, falar ao telefone ou até fazer um caminho desnecessário para aumentar o preço da viagem. 

Guia da comunidade

Na tentativa de atacar os problemas identificados pela plataforma, Ethos e 99 trabalharam juntos por um ano na elaboração do guia da comunidade, disponível no site. No período, foram feitas 18 conversas com grupos focais de gênero, raça e orientação sexual, 1.600 pessoas participaram da consulta pública e 29 pesquisas foram realizadas com passageiros e motoristas.

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O documento é dividido em cinco tópicos: respeito, segurança, responsabilidade, comunicação e medidas de proteção e higiene por causa da pandemia do novo coronavírus. Neles são detalhadas as condutas esperadas, direitos e deveres.

De acordo com Caio Magri, presidente do Instituto Ethos, "a missão é mobilizar empresas para que tomem decisões para enfrentar os problemas e construir soluções, de forma justa e sustentável, para uma convivência pacífica".

Entidades como Mulher 360, em defesa da equidade de gênero, e o Instituto Modo Parités, de inclusão social de pessoas com deficiência, foram consultadas na elaboração do guia e destacaram a importância de ações para mudar o comportamento da sociedade.

Nos próximos dias, o aplicativo de transporte vai ter um botão para que ele possa conhecer o guia. "Há subnotificação e a denúncia é essencial. Este é o primeiro passo de um grande projeto de mobilização e da campanha 'Com respeito a gente anda junto', destaca Pamela Vaiano.

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