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Arquivada ação contra PM por morte de garoto no Complexo do Alemão

São Paulo|Do R7

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A 2ª Câmara Criminal arquivou o processo contra o policial militar acusado de matar o estudante Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, em abril de 2015, durante operação no Complexo do Alemão. Por dois votos a um, os desembargadores acataram o pedido da defesa, que pedia o trancamento do processo por "inépcia" da acusação e "ausência de provas".

A mãe de Eduardo, Terezinha de Jesus, classificou a decisão como "grande injustiça". "É porque não foi o filho deles que foi morto com um tiro de fuzil na favela", disse ela, em entrevista ao site G1. A Defensoria Pública estuda recurso para pedir a anulação da decisão aos tribunais superiores.

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Eduardo brincava na porta de casa, quando foi atingido por um tiro de fuzil na cabeça, disparado a 5 metros de distância. Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora faziam uma operação na localidade conhecida como Areal. Moradores disseram que o soldado Rafael de Freitas Monteiro Rodrigues chegou ao local atirando. A versão dos PMs é de que os policiais trocavam tiros com traficantes. A mãe do menino contou, na ocasião, que se dirigiu a um policial, acusando-o da morte de Eduardo e foi ameaçada por ele.

Sete meses depois da morte de Eduardo, inquérito da Divisão de Homicídios concluiu que os PMs respondiam a "uma injusta agressão e, lamentavelmente, acabaram atingindo a criança". A ação dos policiais foi considerada legítima defesa. O promotor Homero das Neves, no entanto, discordou. Para ele, o primeiro policial a atirar assumiu o risco de matar um inocente e denunciou o soldado Rafael Rodrigues por homicídio com dolo eventual, crime que prevê pena de até 20 anos de prisão.

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Os desembargadores que votaram pelo arquivamento do processo, Rosa Helena Penna Macedo Guita e Flávio Marcelo de Azevedo Horta Fernandes, decidiram assim por causa da "inépcia" da acusação e falta de provas - a investigação da DH não apontou qual policial fez o disparo que matou Eduardo. O desembargador Paulo de Tarso considerou a decisão "extrema e prematura", mas foi voto vencido.

A Anistia Internacional lançou campanha para pressionar Ministério Público e Ministério da Justiça para que "garantam que o caso seja levado à Justiça" e os policiais responsabilizados pela morte de Eduardo. "O assassinato de um menino de 10 anos, desarmado, na porta de casa, quando não havia um tiroteio, não pode ficar sem responsabilização. Se a sociedade brasileira aceitar que a morte de Eduardo foi em legítima defesa, estará abrindo perigoso precedente, dando licença para a polícia matar em qualquer circunstância e nos levando para a barbárie" afirmou Renata Neder, assessora de direitos humanos da Anistia Internacional.

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