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Audiência de custódia libera quase 40% da prisão no Rio

São Paulo|Do R7

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Uma pesquisa da Defensoria Pública do Rio constatou que a regulamentação no Estado da audiência de custódia, na qual os presos são levados à Justiça até 24 horas após a prisão, evitou o ingresso de dois detentos por dia no sistema penitenciário. Dos 199 atendidos pelos defensores públicos entre 18 de setembro e 13 de outubro, 79 (39,7%) foram liberados para responder ao processo em liberdade. A pesquisa constatou que 41 presos (20%) disseram ter sido agredidos.

Apesar de a Justiça ter determinado o fim da divulgação de imagens de presos provisórios, 62 detentos (31,15%) contaram que tiveram o rosto fotografado em situação diversa da sua identificação na delegacia. Regulamentadas pelo Tribunal de Justiça em 24 de agosto, as audiências começaram no Estado em 18 de setembro.

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Dos 199 assistidos, 138 (69,34%) eram pretos ou pardos; 36 (18%), brancos; cinco, amarelos (2,51%), um (0,5%), indígena. Sobre 19 detentos (9,55%), não havia informação. O estudo foi coordenado pela diretora de Pesquisa da Defensoria, Carolina Haber.

Dos 199 presos em flagrantes, 55 (27,6%) respondiam por roubo; 54 (27,1%) por furto; 43 ( 21,6%) foram enquadrados na Lei de Drogas; 19 (9,55%) por crime contra o patrimônio, entre outros. O estudo observou que, dos 25 casos em que o réu responde por furto simples ou tentado, 15 (60%) receberam liberdade provisória, e 85% dos 55 acusados de roubo tiveram a prisão em flagrante convertida em provisória.

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A pesquisa ainda traçou um perfil dos presos: 110 (55%) têm apenas o Ensino Fundamental; 38 (19%) concluíram o Ensino Médio, e apenas um tem Nível Superior (0,5%),. Sobre os 50 restantes, não havia informações. O estudo constatou ainda que a maioria (164, ou seja, 82,41%) trabalhava antes da prisão; 28 (14,7%) disseram que poderiam comprovar vínculo empregatício; e 100 (50,25%) declararam ter filhos.

Segundo a Defensoria, os dados mostram a eficácia da audiência de custódia, cuja regulamentação era uma antiga bandeira instituição. Além de reduzir a superlotação carcerária, que atualmente conta com aproximadamente 18 mil presos provisórios (sem condenação), o mecanismo, de acordo com o órgão, melhora a qualidade da defesa e ajuda a coibir a violência policial e a tortura.

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