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Bairro de São Paulo dentro da cratera de um meteoro esconde tesouro para a ciência

Pesquisas sobre a cratera de Colônia, a 40 km de SP, apontam impacto cósmico, vestígios de terremoto e evolução da Mata Atlântica

São Paulo|Do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A cratera de Colônia, localizada em Vargem Grande, São Paulo, é uma formação geológica rara com 3,6 km de diâmetro, criada por um impacto meteórico.
  • A colisão, que ocorreu entre 5 e 36 milhões de anos atrás, gerou energia equivalente a milhares de bombas atômicas e um forte terremoto.
  • Pesquisadores da USP e Unicamp estão perfurando o solo para estudar a evolução da Mata Atlântica e suas reações a ciclos climáticos.
  • A cratera é um Monumento Geológico Estadual, e sua preservação é fundamental para entender mudanças climáticas passadas e futuras.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Partes mais altas mostram a borda do buraco feito pelo meteoro onde hoje é Parelheiros Agência Fapesp/Reprodução/YouTube

No extremo sul de São Paulo, a rotina dos moradores do bairro Vargem Grande se desenrola sobre uma das formações geológicas mais raras do planeta.

Sob as casas, ruas e comércios, esconde-se a cratera de Colônia, um círculo de 3,6 quilômetros de diâmetro e até 450 metros de profundidade, criado entre 5 milhões e 36 milhões de anos atrás pelo impacto de um corpo celeste.


A colisão liberou energia equivalente a milhares de bombas atômicas e teria provocado um terremoto de magnitude superior a 5,5 na escala de Richter, suficiente para deformar rochas e sedimentos em toda a região metropolitana.

Estima-se que, se o evento ocorresse hoje, o centro urbano da capital, localizado a cerca de 40 quilômetros dali, não resistiria.


O impacto permaneceu um enigma até a década de 1960, quando fotos aéreas revelaram o formato circular da região de Parelheiros.

Por muito tempo cogitou-se tratar-se de um vulcão extinto, mas análises de minerais, como quartzo e zircão, submetidos a pressões e temperaturas extremas, confirmaram a origem meteórica. A evidência se deu em 2013, graças ao trabalho do geólogo Victor Velázquez Fernandez, professor da USP.


“Encontramos esférulas no interior da cratera, em profundidades de 180 a 224 metros, cuja forma só pode ser explicada pelo impacto de um corpo extraterrestre, que gerou temperaturas da ordem de 5 mil graus Celsius e pressões da ordem de 40 quilobars, equivalentes a 40 mil vezes a pressão atmosférica padrão”, conta Velázquez ao Jornal da USP.

Em 2015, a estrutura foi oficialmente reconhecida pelo Earth Impact Database, mantido pela Universidade de New Brunswick (Canadá), que lista somente 190 crateras de impacto no mundo, duas delas habitadas: a de Colônia, no Brasil, e a de Ries, na Alemanha.


Hoje, cerca de 40 mil pessoas vivem dentro dessa cicatriz cósmica, em bairros cercados por vegetação da Mata Atlântica, nascentes e clima mais ameno do que o restante da metrópole.

“É oportuno destacar, entre tantos outros elementos, silício, alumínio, crômio e níquel. A falta de evidências de que tenham recebido material do objeto que impactou a área sugere, fortemente, que esse objeto tenha sido um cometa, e não um asteroide metálico ou rochoso”, analisa Velázquez.

Imagem feita pelo professor Victor Velázquez Fernandez rochas foram pulverizadas, nebulizadas e lançadas para o alto Victor Velázquez Fernandez/USP

Preservação do local

O local, tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico de São Paulo) e reconhecido como Monumento Geológico Estadual, passa por um processo de preservação, que inclui a criação do Parque Nacional Cratera de Colônia.

Além da importância histórica, a formação funciona como um verdadeiro arquivo natural.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) perfuram o solo em busca de testemunhos — cilindros de sedimentos acumulados ao longo de centenas de milhares de anos.

O objetivo é reconstruir a evolução da Mata Atlântica e compreender como as florestas tropicais responderam a ciclos glaciais e variações da insolação terrestre.

As primeiras amostras, de até 50 metros de profundidade, devem revelar mudanças ocorridas nos últimos 800 mil anos. O material é analisado no Brasil e na França por especialistas em geociências, paleobotânica e climatologia.

Estudo da biodiversidade

Os registros da cratera podem ajudar a explicar como a biodiversidade da floresta se expandiu ou retraiu diante das oscilações climáticas do Pleistoceno.

Também reforçam uma hipótese mais recente: o impacto do meteoro teria remodelado a Bacia de São Paulo, causando fraturas, deformações e diques clásticos — estruturas formadas pela infiltração de areia e água sob pressão — observadas ainda hoje em rochas espalhadas pela cidade.

Esse laboratório natural, escondido sob o concreto da metrópole, não somente revela como a Terra respondeu a mudanças climáticas passadas, mas também ajuda a projetar cenários para o futuro da floresta tropical e do ambiente urbano construído sobre uma cicatriz cósmica.

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Perguntas e Respostas

 

Qual é a localização e a importância da cratera de Colônia?

 

A cratera de Colônia está localizada no extremo sul de São Paulo, sob o bairro Vargem Grande. Ela é uma formação geológica rara, com 3,6 quilômetros de diâmetro e até 450 metros de profundidade, criada por um impacto cósmico entre 5 milhões e 36 milhões de anos atrás. Este local é considerado um Monumento Geológico Estadual e é tombado pelo Condephaat.

 

Qual foi o impacto do evento que criou a cratera?

 

O impacto liberou uma energia equivalente a milhares de bombas atômicas, provocando um terremoto de magnitude superior a 5,5 na escala de Richter, o que teria deformado rochas e sedimentos na região metropolitana de São Paulo. Se o evento ocorresse hoje, o centro urbano da capital, a cerca de 40 quilômetros de distância, não resistiria.

 

Quando a cratera foi reconhecida oficialmente e por quem?

 

A cratera de Colônia foi oficialmente reconhecida em 2015 pelo Earth Impact Database, mantido pela Universidade de New Brunswick, no Canadá. Este banco de dados lista apenas 190 crateras de impacto no mundo, sendo Colônia uma das duas habitadas.

 

Quantas pessoas vivem na área da cratera e como é o ambiente local?

 

Atualmente, cerca de 40 mil pessoas vivem na área da cratera, que é cercada por vegetação da Mata Atlântica, nascentes e apresenta um clima mais ameno em comparação ao restante da metrópole.

 

Quais pesquisas estão sendo realizadas na cratera de Colônia?

 

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto Francês de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD) estão perfurando o solo da cratera em busca de cilindros de sedimentos acumulados ao longo de centenas de milhares de anos. O objetivo é reconstruir a evolução da Mata Atlântica e entender como as florestas tropicais reagiram a ciclos glaciais e variações da insolação terrestre.

 

Que tipo de informações os pesquisadores esperam obter das amostras coletadas?

 

As amostras coletadas, que podem chegar a 50 metros de profundidade, devem revelar mudanças ocorridas nos últimos 800 mil anos. Essas informações serão analisadas por especialistas em geociências, paleobotânica e climatologia, e podem ajudar a explicar a evolução da biodiversidade da floresta em resposta às oscilações climáticas do Pleistoceno.

 

Qual é a relevância das descobertas feitas na cratera para o futuro?

 

As descobertas na cratera podem ajudar a projetar cenários para o futuro da floresta tropical e do ambiente urbano que se desenvolveu sobre essa cicatriz cósmica. Além disso, reforçam a hipótese de que o impacto do meteoro remodelou a Bacia de São Paulo, causando fraturas e deformações observadas em rochas na cidade.

 

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