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Candidatos aprovam tema da violência contra a mulher

São Paulo|Do R7

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Os alunos que terminaram o Enem hoje, na Universidade do Estado do Rio (Uerj), um dos maiores locais de prova da capital fluminense, aprovaram o tema da redação sobre a violência contra as mulheres. Alguns pais também prestaram o exame junto com os filhos para tentar uma vaga em um curso superior.

Funcionária do administrativo de um escritório de cardiologia, Alba Lima, 48 anos, decidiu fazer a prova após o incentivo dos dois filhos. "Meu filho me inscreveu. Eu não sabia, aí recebi a mensagem e aproveitei. Tudo aconteceu comigo. Cheguei ontem faltando um minuto para fechar o portão", conta ela, que gostaria de estudar algum curso na área da saúde.

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Alba diz que ontem a prova estava mais fácil e o exame do domingo foi mais cansativo. A redação, porém, foi tranquila. Para ela, a pior agressão contra as mulheres é aquela que ocorre dentro de casa e muitas vezes pode ser apenas verbal.

"Nós viemos conversando na condução e uma das meninas achou que ia cair esse tema. Quando as mulheres são agredidas e é mostrado, tudo bem, mas e aquela que ninguém vê? Quando a violência é escondida, em casa, no dia a dia, o agressor vai aos pouquinhos agredindo verbalmente a mulher, colocando ela para baixo e não deixa ela fazer as coisas. Essa silenciosa é a pior", afirma Alba.

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Os filhos de Alba têm 20 e 23 anos. O mais velho pretende estudar Administração. Já o mais novo, ainda não decidiu. "Tenho dois filhos fazendo a prova também. Estou torcendo por eles, porque eu já trabalho. Só estou aproveitando a oportunidade que aconteceu comigo e também para dar incentivo a eles", diz ela.

O motorista de ônibus Albano Viveiros, 53 anos, fez uma prova de vestibular pela primeira vez na vida em 2015. Ao lado do filho de 19 anos, ele prestou o exame sonhando com uma vaga no curso de História. Já o filho quer fazer Economia.

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Viveiros aprovou o tema e disse que escreveu sobre a necessidade de o Judiciário ser mais ágil nos casos de agressão a mulheres. "A redação não teve tema difícil. Falei sobre a violência que a gente vê nos jornais. A gente fala sobre isso. A minha proposta é para intensificar a Justiça, que ainda é muito branda. Tem que ser mais eficaz e mais rápida", explica ele.

Sobre a prova de matemática, ele admitiu que teve dificuldades. "Matemática eu chutei tudo que eu podia", disse ele, rindo. O grande desejo de Viveiros é estudar História. A inscrição foi feita pela mulher.

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"Já estou meio passado, mas vou tentar. Eu quis fazer quando era mais novo, mas não teve como. Meu filho ficou na sala. Vou embora porque ele é demorado, só sai quando acaba a prova mesmo", contou ele, que deixou o exame 2h30 após o início.

Ao tentar o Enem pela terceira vez, a estudante Ana Clara Moreira, 19 anos, disse que agora estava mais preparada para uma vaga em um curso de Jornalismo. Para ela, a prova foi fácil. Na redação, Ana Clara também aproveitou para falar sobre o movimento feminista.

"É um tema que está bem em alta, também sobre feminismo. Não foi nenhuma surpresa para mim. Eu defendi meu lado como mulher. O direito de ir e vir que a gente não tem muito. Aqui no Rio, a gente sempre anda com medo pela rua. Então como os homens podem, nós também podemos ir e vir", afirmou Ana Clara, ao citar casos de assédio.

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