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Casal planejava o casamento ao sofrer atentado a tiros

Horas antes de chacina, manobra de carro fez filha de sargento da PM ameaçar vítima

São Paulo|André Caramante, Do R7

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Thamirys Molina Keid, 19 anos, conversava com o noivo, Rafael da Rocha e Silva, 22, a mãe, Vera Cristina Molina, 39, e outro jovem, um estudante de fisioterapia e amigo da família que sobreviveu ao atentado, quando um Gol verde chegou à rua Crisciúma, no Jardim Brasil (zona norte de São Paulo), naquela tarde do domingo 15 de janeiro de 2007.

O assunto era o casamento de Thamirys e Rafael, marcado para o fim do mês seguinte. Mas a discussão entre Vera e a ex-policial militar Adriana Cordeiro Ferreira, 38 anos, uma das filhas do sargento da PM de SP José Aparecido Ferreira, o Banana, ocorrida três horas antes da chegada do Gol Verde, também aparecia na conversa dos quatro, assim como as aventuras de Thamirys na Suíça, onde havia passado uma temporada para estudar e trabalhar.


Motorista de carteira nova, Vera ainda enfrentava dificuldades para manobrar e guardar seu carro na garagem de casa quando, por volta das 14h daquele domingo, não conseguiu evitar um solavanco do veículo exatamente quando a ex-policial militar Adriana passava perto. Apesar de não ter sido atingida, Adriana, segundo testemunhas narraram à polícia, xingou Vera de “vaca” e perguntou se a dona de casa queria matá-la.

Depois da discussão entre Adriana e Vera, o sargento Ferreira, ainda segundo testemunhas, disse para Vera: “Hoje vocês vão ver o que vai acontecer. Eu vou calar a boca de vocês”.


À polícia, o vigilante Antônio Leite da Silva, 41 anos, marido de Vera e padrasto de Thamirys, disse que as confusões entre as duas famílias haviam começado três anos antes da chacina, quando o sargento Ferreira prometeu matar Vera. A auxiliar de enfermagem Isabelle Cordeiro Ferreira, 33 anos, outra das quatro filhas do sargento Ferreira, também foi apontada como uma das que viviam provocando Vera e sua família.

Outro fato que chamou a atenção dos investigadores sobre a chacina foi uma informação dada pelo estudante de fisioterapia que sobreviveu ao atentado. Segundo ele, instantes antes dos tiros, policiais militares em motocicletas passaram pela rua Crisciúma. Assim como PMs em motos também foram os primeiros a chegar na cena do crime, onde recolheram cápsulas de munição de pistola .40, armamento padrão da Polícia Militar de São Paulo.


Quando decretou, em abril de 2008, a prisão preventiva (até um possível julgamento) do sargento Ferreira, de suas filhas Adriana e Isabelle, e também dos suspeitos de ser os executores do crime, o balconista Rogério Severino Nogueira Delphino, 39 anos, e Marcelo da Silva Ferreira, 34, o juiz do 2º Tribunal do Júri Rogério de Toledo Pierri afirmou que o militar havia recebido proteção dos colegas de corporação para fugir do Jardim Brasil após a chacina.

Juiz Rogério de Toledo Pierri afirmou que o sargento Ferreira recebeu ajuda de outros policiais militares após o crime
Juiz Rogério de Toledo Pierri afirmou que o sargento Ferreira recebeu ajuda de outros policiais militares após o crime

Assim que a notícia de que Vera, Thamirys e Rafael, todos socorridos para o Hospital São Luiz Gonzaga por PMs haviam morrido se espalhou pelo Jardim Brasil, já na noite daquele domingo da chacina, o sargento Ferreira e todos seus familiares fugiram da casa onde viviam.


Um mês após a chacina, o sargento Ferreira foi interrogado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil de SP, e declarou não ter mais armas, nem particular nem da corporação, porque havia passado por tratamento psiquiátrico na PM, em março de 2006.

O PM e suas duas filhas também disseram ao DHPP que estavam reunidos na casa da família quando a chacina aconteceu, mas a quebra do sigilo telefônico mostrou ligações entre eles nos momentos seguintes ao crime e também foi usado contra a família para acusá-la pelas mortes.

O sargento Ferreira, Adriana e Isabelle sempre negaram participação na chacina contra Vera, Thamirys e Rafael. 

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