Chacina de Osasco: PM acusado se apresentou como testemunha
No 1º dia do júri, acusação afirma que policial tentou atrapalhar inquérito
São Paulo|Peu Araújo, do R7

Um dos acusados de participar a chacina que deixou 17 mortos em Osasco e Barueri se apresentou como testemunha quando a polícia investigava o caso e atrapalhou a apuração do crime, afirmaram duas testemunhas de acusação durante o primeiro dia do julgamento do caso.
O julgamento do GCM (Guarda Civil Metropolitano) Sergio Manhanhã e dos policiais militares Fabricio Emmanuel Eleutério e Thiago Barbosa Henklain começou na tarde desta segunda-feira (18) com atraso de três horas.
A juíza Elia Kinosita Bullman iniciou sua fala pontualmente às 16h. A demora, segundo funcionários do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), ocorreu pelo atraso de uma testemunha. O promotor Marcelo Alexandre de Oliveira fala sobre o atraso:
— É natural esse medo. É claro que o medo é um fator que influencia ou pode influenciar.
Antes do início do julgamento tanto acusação como defesa reduziram o número de testemunhas e as pessoas ouvidas no júri caíram de 43 para 28.
A primeira testemunha a falar ao júri foi o capitão Rodrigo Elias da Silva, da Corregedoria da Polícia Militar, responsável pela do órgão. O depoimento demorou quase duas horas.
O policial da Corregedoria e também o delegado do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), José Mario de Lara, afirmam que Eleuterio depôs nas investigações e, com isso atrapalhou, a investigação da Polícia Civil.
Ele teria revelado nomes de policiais e locais de crime para desviar o foco da investigação. Eleutério apontou um estande de tiro e houve um mandado de busca e apreensão de centenas de munições no local.
De Lara afirmou que a a ação do policial prejudicou o trabalho do DHPP.
— Atrapalhou a investigação.
No inquérito, para que tivesse a identidade protegida, o testemunho de Eutério foi atribuído ao codinome "Danilo". Eleutério em vários momentos do julgamento chorou. O promotor afirma que ele é o mais acostumado com processos.
— É a primeira vez que ele chorou.
Os advogados de defesa apontam fragilidades na denúncia. Eles também questionaram se não houve pressão da cúpula da Secretaria de Estado da Segurança Pública para que fossem achados culpados pelo crime.
Fernando Capano, advogado do Henklain, perguntou ao delegado do DHPP quantas vezes ele tinha presenciado o secretário diretamente na investigação em 9 anos de carreira e ele respondeu que só aquela.
Dos 119 lugares do auditório do Fórum de Osasco, 61 eram destinados a familiares das vítimas 17 vitimas. Na época do crime foi noticiado 19 homicídios, mas dois deles foram descartados, um por causa da munição usada e outro pelo motivo da morte (uma morte relacionada ao tráfico de drogas).
O primeiro dia de julgamento teve ainda o depoimento do pintor Amauri José Custódio, de 56 anos, que levou um tiro que entrou pelo rosto e saiu pelo pescoço. Ele falou na audiência sobre as sequelas que sofreu com o disparo.
— Sinto falta de ar, acordo sufocado à noite.
E relatou ainda problemas de pressão alta e dificuldade para comer.
A quarta e última testemunha foi o delegado do SHPP (Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa) de Carapicuíba, Andreas Schiffmann.
O julgamento acabou pontualmente às 20h30 e serão ainda mais 24 testemunhas ouvidas até a conclusão do caso. Quatro homens e três mulheres compõem o Conselho de Sentença que decidirá o futuro dos réus.
Após o primeiro dia do júri, Abelardo Julio da Rocha, advogado do GCM Sergio Manhanhã, criticou a investigação e afirma que ela está baseada em achismos.
— Estamos diante de uma das piores investigações da Polícia Civil do Estado de São Paulo.















