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Chacina de Osasco: réu demonstrou arrogância, diz promotor

PM Victor Cristilder apresenta comportamento incisivo e afirma ter se lembrado de outros símbolos enviados em conversa de aplicativo

São Paulo|Fabíola Perez, do R7

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PM Victor Cristilder é interrogado no Tribunal do Júri em Osasco
PM Victor Cristilder é interrogado no Tribunal do Júri em Osasco

Após quase duas horas e 30 minutos de depoimento do réu Victor Cristilder da Silva Santos, 33 anos, acusado de ter participado da chacina de Osasco e Barueri, em São Paulo, o promotor de Justiça Marcelo Oliveira criticou o comportamento do policial militar durante o interrogatório no Tribunal do Júri no Fórum de Osasco. "Ele demonstrou petulância, inconveniência e arrogância fora dos padrões para um acusado de homicídio", afirmou.

Ao final do interrogatório do réu, o advogado João Carlos Campanine não quis dar declarações à imprensa. A defesa afirma que o policial militar é inocente.


Depoimento

O interrogatório do réu começou as 15h20 da quinta-feira (1) e se estendeu até quase 18h. Cristilder, que é acusado de ter combinado o horário de início da chacina com o guarda municipal Sérgio Manhanhã pelo WhatsApp, afirmou que enviou um sinal de positivo para o colega dias após ter pedido emprestado um livro de Direito Administrativo para um concurso de sargento.


Além do símbolo de positivo, o réu disse também que durante os dois anos que ficou preso preventivamente no presídio da Polícia Militar Romão Gusmão se lembrou de ter enviado os símbolos de um homem correndo para Manhanhã. Esses desenhos, porém, não constam no processo. Questionado pela juíza Élia Kinosita Bullman sobre o significado da mensagem, o réu respondeu que os desenhos queriam dizer "valeu, estou indo embora".

Ao relatar que, na noite do dia 13 de agosto de 2015, teria escutado barulhos de ocorrências no rádio da Polícia Militar, Cristilder diz que imaginou que algo grave teria ocorrido e por isso não entrou mais em contato com o Manhanhã. Tanto a juíza quanto a acusação demonstraram estranhamento com as respostas de Cristilder em relação à troca de mensagens com o guarda. “Cada um tem uma interpretação sobre sinais utilizados”, rebateu o réu.


Durante todo o interrogatório, Cristilder oscilava entre um comportamento incisivo e emotivo. “Durante o tempo em que estive preso, estudei o processo”, afirma. Ele chegou a bater na mesa e gritar que era inocente. “Nunca iria matar um cidadão de bem. Tem um policial morto por minha causa”, diz em referência ao guarda Manhanhã. Para o promotor Oliveria, porém, o depoimento do réu é falso. “Queremos provar que ele também integrou essa ação terrorista.”

Defesa


Provocado pelos questionamentos da defesa, Cristilder relatou trechos de sua rotina. Ele contou que trabalhava como policial militar, mas também fazia bicos como integrante de uma escolta particular de Alpahville. “Depois, abdiquei dos serviços de rua para começar a estudar.”

O policial, que possui ensino médio e cursos técnicos, afirma que tinha como hábito ficar até mais tarde na base em que trabalhava para estudar. “Não tinha tempo de ver minha esposa nem meu filho.”

Cristilder foi preso preventivamente em 8 de outubro de 2015. “Briguei com a minha mãe e com minha esposa. Naquele momento, acabou para mim.” O policial afirma que conseguiu autorização para fazer a prova teórica do concurso para sargento e foi aprovado em novembro de 2015. “Todos os dias eu estudava e perguntava para Deus porque estava preso.”

No auditório do júri, famílias de policiais militares se emocionaram durante a fala de Cristilder. Em 2012, Cristilder diz ter comprado um apartamento por meio de um financiamento. “Ainda não sei como ele é.”

O PM relata que ao ter sido preso preventivamente deixou o filho e a esposa na casa em que viviam. “Kaique, agora você é o homem da casa”, teria dito à criança. “Hoje, meu filho tem 14 anos e o cabelo da minha esposa começou a cair”, afirmou. Cristilder disse ainda que pagar ajudar a família a pagar dívidas, pinta quadros do Romero Brito na prisão e manda para colegas em liberdade.

Domínio

Sentado à mesa com diversas folhas repletas de anotações a sua frente, Cristilder demonstra domínio sobre o processo. Ao responder as perguntas da juíza, por exemplo, ele cita páginas do processo com exatidão.

O policial fala por aproximadamente 40 minutos sobre possíveis divergências entre os depoimentos das testemunhas e o que, segundo ele próprio, teria ocorrido. “Ela já é a quarta pessoa que me confunde com o Boy”, afirma. O réu afirma que é inocente e que teria sido confundido com um policial de nome Rodrigo Rodrigues de Oliveira, também apelidado “boy”.

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