Chefe de bando do túnel liderou motim após remoção de Marcola

Alceu Nogueira foi condenado por rebelião em Avaré em maio de 2006

Alceu Céu Nogueira é suspeito de comandar bando

Alceu Céu Nogueira é suspeito de comandar bando

Reprodução

Apontado pela Polícia Civil como o líder do bando que cavou um túnel para tentar furtar o Banco do Brasil, Alceu Céu Gomes Nogueira comandou rebelião na Penitenciária I de Avaré, no interior de São Paulo, nos dias 12 e 13 de maio de 2006. O motim teria sido ordenado pelo PCC, que, na época, iniciou também a série de ataques que parou a cidade de São Paulo.

A rebelião cuja liderança é atribuída a Nogueira começou um dia após Marcos William Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelo Ministério Público como chefe do PCC, ser transferido de Avaré para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Na ocasião, outras lideranças da facção também foram levadas a Presidente Venceslau.

Em 30 de junho de 2014, Nogueira foi condenado em primeira instância a seis anos de reclusão, ao lado de outros dois detentos, por liderar o motim.

A sentença afirma que os líderes da rebelião portavam armas, canos de ferro e estiletes e que a intenção da revolta era destruir o Regime Disciplinar Diferenciado. Ao menos 14 pessoas foram feitas reféns.

Um agente penitenciário que foi vítima da rebelião afirmou em depoimento que durante a ação, os presos “diziam que o motim era ordem do PCC, e que iriam destruir a penitenciária inteira”.

Em juízo, Nogueira negou ter cometido o crime. Ele afirmou que, no momento da rebelião, “apenas ficou andando de um lado para o outro” e que foi até a cela onde estavam os reféns, mas que não ficou tomando conta deles. Nogueira também disse que não deu ordens para ninguém durante o motim e afirmou que não viu nenhum preso portando arma de fogo. Ele disse que viu apenas facas e pedaços de pau.

Túnel cavado para roubo a Banco do Brasil

Túnel cavado para roubo a Banco do Brasil

Divulgação

Túnel

A quadrilha detida nesta segunda-feira (2) investiu R$ 4 milhões para construir o túnel de cerca de 500 metros que iria funcionar como caminho para que um roubo de R$ 1 bilhão ao cofre principal da agência do Banco do Brasil na zona sul de São Paulo, de acordo com governador Geraldo Alckmin, que participou de entrevista à imprensa no Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) nesta terça-feira (3).

A ação estava planejada para o próximo fim de semana.

Além de Nogueira, foram detidos 15 suspeitos: Ailton Barboza Pereira Júnior, 30 anos; Alex Rocha dos Santos, 38 anos; André Luis Moura Reinaldo, 41 anos; Carlos Alberto Ferreira dos Santos, 33 anos; Daniel Ferreira dos Santos, 22 anos; Fernando Augusto Santiago, 40 anos; João Carlos Pereira de Almeida, 37 anos; Josemar Teixeira Alves, 31 anos; Marcelo Ferreira, 47 anos; Marcelo Tadeu Correia, 43 anos; Marcos Paulo Chini, 43 anos; Marcílio da Rocha Campos, 45 anos; Milton César Borges, 45 anos; Roberto Herci, 52 anos; Valdomiro José da Cruz, 55 anos.

A quadrilha é suspeita de ataques no Paraguai, entre eles a uma transportadora de valores. O roubo foi atribuído ao PCC.

O advogado Marcos Antonio Borazo, que defende Nogueira, afirmou não ter tido ainda acesso aos autos do caso do túnel e que, por isso, não poderia se manifestar. Em relação à rebelião de 2006, Borazo afirmou que não tinha autorização para comentar o assunto. A reportagem não teve acesso à defesa dos demais detidos.