Chocados com chacina na Vila Brasilândia, vizinhos dizem que família de PMs era "reservada"
Versão de que filho do casal, de 13 anos, seria suspeito provoca controvérsia
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

Perplexos com a tragédia na rua Dom Sebastião, moradores da Vila Brasilândia, na zona norte de São Paulo, tentam buscar respostas para o que aconteceu na casa de número 42, onde os corpos de um casal de policiais militares, do filho deles, de 13 anos, da mãe da PM e da tia dela foram encontrados na segunda-feira (5). A versão das autoridades de que Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, descrito como um menino “sossegado", seria o principal suspeito da chacina provocou estranheza em alguns.
Moradora do bairro há mais de dez anos, a ajudante-geral Rose Brito, 52 anos, diz não acreditar que o adolescente foi o autor dos crimes.
— Ninguém está acreditando que foi ele. Ninguém nunca falou mal desse menino.
O pedreiro Antônio Correia, 55 anos, que há 23 anos vive na Vila Brasilândia, diz que nunca viu Marcelo brincar na rua. A casa dele fica a metros do imóvel onde residiam as vítimas.
— Só via o menino do portão da casa para dentro ou entrando na perua para ir à escola.
A mulher dele, a dona de casa Geralda Pereira da Silva, 56 anos, conta que o estudante era “o xodó da avó”, também assassinada. Assim como o marido, ela relatou que o menino saía pouco.
— Quando ele era pequenininho, eu o via com a avó [na rua]. Depois que cresceu, passei a não ver mais.
De acordo com Correia, a família de Marcelo era “reservada” e não tinha muito contato com a vizinhança.
— O pai cumprimentava a gente. Nunca vi ou fiquei sabendo de discussão na família.
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O mecânico Roberto Casado, 52 anos, também morador do bairro, tem discurso semelhante.
— Conhecia a família de vista. Era uma família normal. O moleque não era de ficar na rua. Nunca vi nenhum problema com ele.
“Foi uma bomba!”
O caso deixou os moradores estarrecidos. Antônio Correia deu uma pista de como a notícia foi recebida pela vizinhança.
— Foi uma bomba!
Geralda fez coro.
— Todo mundo ficou chocado.
Já Rose Brito disse que “nunca viu um crime como esse”.
O pedreiro acrescenta que nem ele, nem os familiares ouviram o som dos disparos da pistola usada durante a chacina.
— Chegamos do shopping às 23h15 (de domingo). Minha sobrinha e meu filho foram dormir por volta da meia-noite. E eles não escutaram nada.
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O caso
Na sala da casa, estava o sargento da Rota Luis Marcelo Pesseghini; a mulher dele, a cabo Andreia Regina Bovo Pesseghini e o menino. Em uma casa no mesmo terreno, sobre uma cama, foram achados os corpos da mãe de Andreia e da irmã dela, tia da policial.
As investigações policiais indicam que o adolescente teria matado a família, entre a noite de domingo (4) e a madrugada de segunda-feira (5). Ele teria dirigido o carro da mãe até a escola onde estuda, a cerca de 5 km da casa. Uma câmera de segurança da região teria flagrado o jovem saindo do veículo.
Após a aula, ele pegou carona com o melhor amigo. O pai do garoto o deixou na frente de casa. Marcelo teria dito que não havia necessidade de chamar o pai porque ele estava dormindo.
O delegado Itagiba Vieira Franco, da Divisão de Homicídios, disse que o inquérito não está concluído, mas tudo leva a crer que o filho do casal de PMs premeditou a chacina. Esse melhor amigo, também de 13 anos, contou à polícia que Marcelo tinha o desejo de ser matador de aluguel, matar os pais e fugir com o carro deles.







