Ciclone bomba deve perder força antes de chegar a São Paulo

Mortes provocadas no sul do país não devem se repetir em outras regiões, mas, segundo meteorologista, os ventos em SP devem chegar a 100 km/h

Ventania no sul do país provocou ao menos seis mortes com passagem de ciclone

Ventania no sul do país provocou ao menos seis mortes com passagem de ciclone

José Carlos Daves/Folhapress/01/07/2020

O ciclone extratropical que atinge a região sul do país e já provocou ao menos dez mortes está perdendo força, segundo a meteorologista do Tempo Agora, Doris Santos Palma. "O pior já passou, mas ainda vai ventar muito e os estragos podem continuar porque já há danos em telhados e estruturas", afirmou ao R7.

O ciclone nada mais é do que um intenso sistema de baixa pressão atmosférica. O fenômeno está associado a uma frente fria. É também comum nesta época do ano, mas desta vez houve um diferencial: a queda brusca de pressão, daí a nomenclatura de "ciclone bomba".

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"Essa queda intensa de pressão não é comum.  Fez com que a pressão caísse rapidamente 24 hectopascal. Quando o ciclone se formou ontem, veio com forte chuva e ventos de 90 km/h. Em Clevelândia, no Paraná, as rajadas foram de 120 km/h e, em Curitiba, de 111 km/h. Isso provoca queda de árvores, destelhamento de casas e o mar fica agitado", explicou Doris.

O monitoramento do ciclone é constante e, segundo os meteorologistas, a queda de pressão costuma ocorrer em 24 horas. "Agora ele está se afastando para o oceano e, por estar associado à frente fria, vai chegar ao sudeste do país com menor intensidade, ainda assim com ventos que podem chegar a 100 km/h em São Paulo", afirmou a meteorologista.

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Nesta quarta-feira (1º), as rajadas já chegaram a 70 km/h em São Paulo e os bombeiros receberam mais de 50 chamados de queda de árvores na região metropolitana. Não houve vítimas, mas prejuízos materiais.

"Em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os efeitos não vão se comparar aos do sul. Houve estragos generalizados, além de mortes em Santa Catarina. Em questão de danos materiais, a gente consegue recuperar, mas não as vidas".

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Por causa da agitação no mar, a Marinha emitiu um alerta de ressaca desde o Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro. Ao longo desta quarta, a ventania continua intensa, o litoral terá mar agitado e, em São Paulo, vai ter mais chuva e queda de temperatura.

Como é possível prever a formação de um ciclone, é papel da Defesa Civil emitir alertas à população de fortes temporais e ventos, como fez o Rio Grande do Sul.