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Ciclovia em Higienópolis é apagada após pressão de comerciantes

Dono de padaria afirma que clientes precisam de espaço para estacionar seus carros 

São Paulo|Do R7

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Diretor da Ciclocidade criticou a alteração
Diretor da Ciclocidade criticou a alteração

O trecho da ciclovia que passa pela da Praça Vilaboim, em Higienópolis, região central da capital paulista, está sendo apagado após pressão de comerciantes. Uma grossa tinta cinza começou a cobrir, na noite desta quarta-feira (12), a faixa exclusiva para as bikes, que é vermelha, diante de uma série de estabelecimentos comerciais, a maioria do setor gastronômico.

Ciclistas criticam a alteração e afirmam que a medida prioriza os carros em detrimento das magrelas. Cerca de 60 metros da ciclovia, que passa pelo local desde o início de setembro, já foram removidos. Com isso, ciclistas que vêm pedalando da rua Armando Penteado de repente ficam sem sinalização própria, entrando no meio do trânsito motorizado.

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De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), a ciclovia será remanejada para a rua Aracaju, ao lado da praça. Depois disso, prosseguirá pelo caminho já existente, na rua Piauí. A previsão é que a atual ciclovia seja totalmente apagada até o fim de semana. O prazo para a construção do novo trecho é o mesmo.

Proprietário da padaria Barcelona, na esquina das ruas Armando Penteado e Alagoas, Vicente Safon, de 65 anos, é um dos envolvidos no processo que levou à desmontagem da ciclovia.

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— Fizemos até um abaixo assinado contra. Só aqui, juntei mais de 500 assinaturas. O trânsito em São Paulo é cada vez mais caótico e as ciclovias têm que ser planejadas direito, o que faltou aqui. Tem um comércio ao lado do outro e os carros precisam parar na frente. Ficou uma confusão danada.

Sobre a alteração prevista pela CET, de colocar a ciclovia no lado oposto da Praça Vilaboim, Safon diz não saber avaliar o impacto.

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— Não sei se não vão trocar seis por meia dúzia.

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Ele afirma não ser contra ciclovias, mas, na sua visão, elas devem ficar em vias menos movimentadas e "sem passar na frente de escolas e hospitais".

O diretor de planejamento da ONG Ciclocidade, Daniel Guth, critica a alteração.

— Se essa intervenção representar uma volta maior para o ciclista é um problema e nenhum ciclista vai respeitar.

Segundo ele, a prefeitura abriu uma brecha prejudicial aos ciclistas em seu plano de expansão de ciclovias.

— Eles subjugaram o que é interesse dos ciclistas.

Para Guth, "é normal" que a CET faça ajustes em suas ciclovias, corrigindo erros e melhorando alguns trechos.

— Mas, nesse caso, não se trata disso. Trata-se de obviamente de colocar o ciclista novamente atrás do interesse dos carros.

Ele questiona o motivo pelo qual a prefeitura não decidiu mudar os valets dos estabelecimentos da Vilaboim, em vez da ciclovia.

— Por que o carro tem que ser um veículo porta a porta? Por que o valet não pode ficar do outro lado da praça? Qual é a dificuldade de o cara que vem de carro ao restaurante andar 50 metros de onde parou o carro?

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