São Paulo Cidades mais afetadas pelas chuvas têm 57 mil casas em áreas de risco

Cidades mais afetadas pelas chuvas têm 57 mil casas em áreas de risco

Deslizamentos foram responsáveis pela maioria das ocorrências do último fim de semana, que mataram 34 pessoas

  • São Paulo | Gabriel Croquer, do R7

Chuvas de verão em São Paulo já causaram 45 mortes, ante 25 no ano passado

Chuvas de verão em São Paulo já causaram 45 mortes, ante 25 no ano passado

ORLANDO JUNIOR/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 04/02/2022 - 15:14

As cinco cidades da região metropolitana de São Paulo que tiveram fatalidades por conta das chuvas e deslizamentos do último fim de semana têm, pelo menos, 57.303 casas em áreas de risco. Dessas moradias, 19.350 (33%) estão em locais de risco alto ou muito alto.

Entre os municípios, o que está em pior situação é Itapevi, com 21.198 edificações em situação de risco. Em segundo lugar vem Franco da Rocha (19.444), onde um dos deslizamentos matou 18 pessoas. Completam a lista Francisco Morato (6.715), Arujá (5.266) e Embu das Artes (4.680). 

Os dados sobre as áreas de risco foram analisados pelo R7 com base em um estudo realizado em 2020 pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo em 38 municípios da região metropolitana, excluída a capital. O levantamento mostra ainda que nessas cidades existem 578.238 casas em áreas de risco. 

Além das cidades da região metropolitana, outras três, do interior do estado (Várzea Paulista, Jaú e Ribeirão Preto), também tiveram vítimas das chuvas. Juntos, os municípios somaram 34 mortes — oito delas de crianças — por conta das chuvas do último fim de semana. 

Até o desastre deste ano, a média de mortes estava abaixo da média para a temporada, segundo estatísticas da Defesa Civil. Agora, a quase um mês e meio de a temporada acabar, o verão entre 2021 e 2022 já tem 45 mortes por chuvas, 20 a mais do que o total do ano passado

Deslizamentos

O capitão da Defesa Civil Felipe Zaupa adverte que grande parte dessas fatalidades na época chuvosa é causada por deslizamentos em áreas de risco, e que a percepção do fenômeno é quase impossível pelos moradores desses locais. 

"O deslizamento é muito peculiar porque a pessoa acaba sendo acometida dentro de sua própria residência, num momento em que não está em vigília. [...] Desliza, e ela, para dizer a verdade, nem vê que morreu, porque é muito rápido", diz.

Zaupa ainda acrescenta que ocorrências como a do último fim de semana — que ele considera uma das piores da história do estado relacionadas às chuvas — estão ficando mais frequentes com as mudanças climáticas. "Nós temos, historicamente, um aumento de chuvas aqui na região sudeste [da Grande São Paulo], e isso tem causado alguns desastres maiores", completa.

O engenheiro geotécnico e professor da Universidade Mackenzie Paulo Afonso Luz afirma que o mapeamento geológico das áreas de risco é fundamental em todos os municípios, já que as autoridades dificilmente conseguirão impedir as camadas mais pobres de ocupar as áreas em busca de moradia

"Essas áreas estão em topografia naturalmente ruim, em terrenos muito íngremes. Dá para remediar uma encosta? Dá, mas é caríssimo. Os moradores então vão fazer escavações a olho, alterando o equilíbrio natural de um morro que já está em seu limite de equilíbrio", explica.

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