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Cidades no interior de SP furam poços para evitar falta de água

Especialista diz que solução emergencial é útil, mas precisa ser gerenciada

São Paulo|Fernando Mellis, do R7

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Rio Piracicaba, que abastece cidades na região de Campinas, está com nível abaixo da média devido à estiagem
Rio Piracicaba, que abastece cidades na região de Campinas, está com nível abaixo da média devido à estiagem

Em diversas regiões de São Paulo, os efeitos da seca causam transtornos à população e à economia. Importantes rios e reservatórios do Estado estão com níveis abaixo do normal e ao menos 11 cidades já enfrentam racionamento. Enquanto não chove, alguns desses municípios correm para construir poços e interligar represas, na expectativa de evitar que as torneiras de milhares de consumidores sequem de vez.

Itu é uma das cidades onde o racionamento já faz parte da rotina dos moradores. A água é distribuída em dias alternados das 18h às 4h. A cidade é abastecida por sete pequenos lagos que operam hoje com 4% da capacidade de armazenamento. Na expectativa de melhorar a situação, a concessionária Águas de Itu está integrando represas particulares ao sistema de captação, além de utilizar 80 poços artesianos.

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Os cerca de 8.000 moradores de Pereiras, na região de Tatuí, eram abastecidos pelo ribeirão das Conchas. Mas, desde dezembro de 2013, o nível está tão baixo que não há mais como captar água. Por esse motivo, foi adotado um esquema de rodízio, que dura entre 12 e 16 horas. Os poços artesianos poderiam ajudar, mas a concentração de flúor na água que chega às torneiras é alta demais, tornando-a imprópria para consumo.

Em Sorocaba, aproximadamente 60 mil habitantes convivem com o rodízio no fornecimento de água. A represa que abastece um dos bairros costuma ter nível médio de 1,5 m, mas está com 40 cm. O Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) informou que já conseguiu expandir a captação usando duas represas particulares. Segundo o órgão, não há risco de o problema atingir outras áreas da cidade.

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A seca também afeta o escoamento da produção de soja em Mato Grosso, com destino ao porto de Santos, devido à impossibilidade de navegação das barcaças na hidrovia Tietê-Paraná, desde o fim de maio. Em um trecho de aproximadamente 120 km, entre Andradina e Buritama, o nível do rio Tietê chega a menos de 0,5 m.

O maior afluente do Tietê, o rio Piracicaba, abastece cidades na região de Campinas. Com a falta de chuvas, o nível da água diminuiu mais de 1 m, na região de Piracicaba, em relação à mesma época do ano passado. Além dessas cidades, também há racionamento em Saltinho, São Pedro, Cosmópolis, Valinhos, Santo Antônio da Posse, Rio das Pedras e Vinhedo.

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Águas subterrâneas

O lençol freático pode ser a alternativa emergencial para cidades afetadas pele estiagem, de acordo com o professor de engenharia Antonio Carlos Zuffo, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Algumas cidades do interior, como Ribeirão Preto, já são normalmente abastecidas pelo aquífero.

— Na falta de outra opção, o poço, sem dúvida, é a [alternativa] mais rápida. Você contrata uma empresa que faz a perfuração do poço e em uma semana você está tirando água. Mas o fato de furar o poço não garante uma grande produção de água. Depende muito do subsolo, se o aquífero é bom ou não. Varia muito a produção: de 5 m³/h a 120 m³/h. Menos que 50 m³/h é o chamado poço pobre, ele produz um volume muito pequeno.

De acordo com Zuffo, na região de Campinas, é comum que um poço tenha capacidade de produzir pouco mais de 5 m³/h. Essa vazão seria suficiente para abastecer algo em torno de 150 casas. Poços com capacidade de produzir 120 m³/h de água podem beneficiar 2.400 unidades consumidoras.

No entanto, o professor alerta sobre a necessidade de fiscalizar a perfuração de novos poços.

— Muitos poços causam o rebaixamento do lençol, como o que acontece em Ribeirão Preto. Quando você instala um novo poço, diminui a vazão dos existentes. Então, nós temos que fazer um gerenciamento também do recurso subterrâneo. Não é simplesmente furar o poço. Uma superexploração pode diminuir muito a capacidade de produção dos poços existentes e comprometer quem usa, principalmente o abastecimento público.

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