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Com baixos salários e condições ruins de trabalho, policiais militares se reúnem para "pedir socorro" 

Associação não descarta realizar manifestações para forçar diálogo com o governo

São Paulo|Ana Ignacio, do R7

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Wilson Morais declarou que o grupo irá discutir a criação de um movimento em defesa dos policiais
Wilson Morais declarou que o grupo irá discutir a criação de um movimento em defesa dos policiais

Entidades da classe militar se reúnem na manhã desta sexta-feira (5), em São Paulo, para discutir a situação de trabalho dos policiais militares. Wilson Morais, presidente da associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo, declarou que o grupo irá discutir a criação de um movimento permanente em defesa dos policiais.

Segundo ele, os policiais do Estado possuem o 12º pior salário do País e ainda não tiveram reajuste em 2013. Além disso, a associação reclama das condições de habitação e saúde a que são submetidos.


— O policial hoje está morando em favela porque não tem condição de pagar um aluguel, mora em cortiço por causa da baixa remuneração. São vários problemas. Queremos mostrar que a polícia precisa de socorro. E quem pode dar esse socorro são as autoridades. Estamos pedindo socorro para o governador, a presidente da República que são as pessoas que podem fazer alguma coisa pela polícia 

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As entidades também irão debater nessa reunião mudanças no Código Penal — elas pedem que o assassinato de policiais seja considerado crime hediondo e defendem a redução da maioridade penal — a credibilidade e papel dos policiais na sociedade e a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 300, que estabelece um piso salarial nacional para a categoria.

O grupo quer pedir uma reunião com o secretário da Casa Civil para que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, recebe representantes da categoria para debater as principais reivindicações. Manifestações também não estão descartadas. Sobre a possibilidade de uma paralisação, Morais disse que isso só será cogitado em último caso.


— No momento, a questão não é paralisação. A paralisação é radical, seria o último caso. Estamos a favor da negociação. Vamos procurar o Governo. Se não houver essa reunião, aí sim vamos para a manifestação pública. Um ato público para mostrar para o governo e para a sociedade as necessidades dos policiais hoje.

A pauta de demandas que será enviada ao governador vai ser fechada na próxima sexta-feira (12) em nova reunião das categorias. O principal pedido será em relação ao aumento salarial. 


Manifestações 

Morais falou também sobre o reflexo das manifestações em São Paulo no dia a dia dos policiais. Segundo ele, os atos "mexeram muito" com todos. Alguns profissionais chegram a trabalhar 24 horas seguidas durante os dias de protestos na cidade. 

— Mexeu muito, psicologicamente inclusive.

No entanto, Morais declarou que a a categoria apois as manifestações. 

— O movimento é válido, o povo tem que ir para rua para melhorar as condições de vida de todos os cidadãos e não somos contra. Somos contra os movimentos de depredação que é quando a polícia atua e é sempre questionada porque usou da força.

Em relação aos confrontos ocorridos entre policiais e manifestantes e aos casos de abuso policial, Morais explicou que as ações foram todas realizadas por ordem do governo.

— O policial não vai para a avenida paulista sem autorização. Sempre é ordem do governo. E os abusos são exceções e estão sendo apurados pela corregedoria da Polícia Militar, que é muito séria.

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