São Paulo Com fama de bom professor, juiz acusado de assédio sexual indicava 'segundas intenções' como aluno

Com fama de bom professor, juiz acusado de assédio sexual indicava 'segundas intenções' como aluno

Afirmação é de uma ex-professora dele, que relembra comportamento dedicado como estudante, mas cita relatos de mulheres de quando o conheceu

  • São Paulo | Isabelle Amaral*, do R7

Ao menos 30 mulheres já relataram casos de assédio sexual que envolvem Scalercio

Ao menos 30 mulheres já relataram casos de assédio sexual que envolvem Scalercio

Reprodução / Instagram Curso Damásio

O juiz trabalhista e professor Marcos Scalercio, de 41 anos, acusado por ao menos 30 mulheres de assédio sexual, ainda não apresentava tais condutas quando era estudante. Em entrevista ao R7, Adriana Calvo, professora dele entre 2010 e 2012, e colega de Marcos em alguns cursos preparatórios posteriormente, afirma que o juiz era um aluno excelente, educado, dedicado e sempre foi considerado um bom profissional.

Porém, ela conta que, naquela época, ouviu algumas meninas falarem sobre conversas dele com "segundas intenções". 

Nas redes sociais do cursinho preparatório para concursos públicos, o Damásio, onde ele atuava como professor, alguns alunos comentaram a competência de Scalercio durante as aulas. "Passei a gostar muito de direito assistindo às suas aulas", relatou um internauta. "Muito bom professor. Na fé e esperança para gabaritar o trabalho", disse uma aluna. 

Após as denúncias, ele foi afastado do Damásio. De acordo com Adriana, ele passou no concurso de juiz do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 2ª Região e atuava como substituto. "Lá, ele era conhecido como um excelente juiz. Ninguém esperava isso", afirma.

Marcos pediu férias de 20 dias do tribunal a partir desta terça-feira (16). "O pedido de descanso já estava autorizado para novembro, e o juiz antecipou as férias para esse momento", informou em nota o TRT-2.

A ex-professora de Marcos disse, ainda, que teve contato com pelo menos três vítimas. O sentimento, agora, é de alívio, não apenas por estarem sendo ouvidas, mas também porque ele foi afastado. "A primeira mulher que o denunciou há alguns anos por ter sido assediada dentro do gabinete ficou com fama de mentirosa porque não teve provas suficientes para comprovar a denúncia. Mas, com essa mobilização de outras mulheres que passaram pela mesma coisa, a situação mudou", explicou a advogada. 

Marcos recebia elogios pelas aulas

Marcos recebia elogios pelas aulas

Reprodução/Redes sociais

As denunciantes são ao menos 30 advogadas, estagiárias, juízas, bacharéis e servidoras do TRT da 2ª Região. Conforme relatam as vítimas, elas foram agarradas e forçadas ao beijo em espaços privados e públicos.

Além disso, uma delas o denunciou após ter participado de uma reunião de vídeo em que o juiz estava completamente nu e se masturbando, de acordo com a ONG (Organizão Não Governamental) Me Too, que colheu os relatos delas e os levou para o CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

O CNJ informou, em nota, que os fatos relacionados ao juiz Marcos Scalercio estão sendo apurados sob segredo de Justiça. O pedido de providências é uma apuração preliminar, na qual ocorre a avaliação do fato e das provas existentes, para assim estabelecer se a infração foi cometida ou não. Caso seja comprovada, pode acarretar um processo administrativo disciplinar ou, em hipótese contrária, o arquivamento do procedimento.

*Estagiária, sob supervisão de Guilherme Padin

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