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Com torneira seca, comerciantes cobram até R$ 1.600 por carga de água potável no Guarujá (SP)

Fora da temporada, caminhão-pipa com 30 mil litros custa um quarto do valor atual

São Paulo|Raphael Hakime, do R7

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Para encher a caixa d’água de uma casa, por exemplo, dá para comprar 4.000 litros por R$ 700
Para encher a caixa d’água de uma casa, por exemplo, dá para comprar 4.000 litros por R$ 700

Os turistas que escolheram o litoral paulista para passar o Réveillon sofrem com a falta de serviços básicos. No Guarujá (SP), a principal necessidade é a falta de água nas torneiras. Diante do problema, os comerciantes de água potável enxergaram uma oportunidade de negócio.

A reportagem do R7 encontrou empresas que cobram até R$ 1.600 por um caminhão pipa carregado com 30 mil litros de água potável. Normalmente, a mesma mercadoria sai por R$ 400 fora da temporada, ou seja, o valor cobrado agora é quatro vezes maior. Os preços variam conforme a quantidade e a localidade de entrega.

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Um caminhão com 16 mil litros sai por R$ 1.400. Se o turista quiser menor quantidade, para encher a caixa d’água de uma casa, por exemplo, dá para comprar 4.000 litros por R$ 700 na empresa Maremar. A turista Eunice Cavalcanti Pereira saiu de São José do Rio Preto (SP) no último dia 27 para passar o Ano Novo em uma casa com a família na praia da Enseada, no Guarujá, e se surpreendeu com a falta de água na torneira.

— Onde já se viu faltar água no Ano Novo? Todo mundo sabe que, no fim do ano, as praias ficam lotadas, mas o governo não cuida da infraestrutura para atender o público. Nós ainda estamos bem. Imagine quem está em um apartamento, com oito ou dez pessoas, e sem água?

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O problema é recorrente na cidade, segundo zeladores e porteiros ouvidos pelo R7. O porteiro José Roberto Araújo de Lavor trabalha há 13 anos em um condomínio residencial do Guarujá. Por volta do meio-dia, o reservatório de água do prédio onde trabalha recebia o quinto caminhão-pipa de 30 mil litros.

— Um caminhão desse dura meia hora aqui no prédio. Todo ano é a mesma coisa, sempre falta água no Ano-Novo. Os turistas e moradores pagam água o ano todo e não usam porque não podem vir para cá e, quando precisa, falta água.

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A reportagem tentou reservar um caminhão de água na mesma empresa que atendeu ao condomínio em que trabalha José Roberto. Pelo rádio, o fornecedor, que não se identificou, se recusou a vender mais um caminhão de 30 mil litros: “Se eu falar que vou dar conta de entregar, vou mentir. Não estou dando conta da demanda”.

Jeitinho brasileiro

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Alguns prestadores de serviço locais oferecem um serviço paralelo para encher as caixas d’água das casas em que os turistas estão hospedados. A reportagem encontrou um segurança de banco que faz bicos para bombear a água da rua para as residências.

Com uma bomba elétrica, ele garante que consegue fornecer até 3.000 litros de água da rua em até uma hora. Ao meio-dia, ele já tinha resolvido o problema de, pelo menos, três casas. O “serviço caseiro” sai bem mais barato que um caminhão-pipa: R$ 100 por residência.

Em nota, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) informou que "vem realizando manobras no sistema de abastecimento para normalizar a pressão em todos os pontos de distribuição de água do bairro Enseada, o que vem acontecendo gradativamente". Além disso, a companhia disse ainda que as solicitações registradas na Central de Atendimento foram atendidas por vistorias e por meio de caminhões-pipa da própria empresa.

Assista ao vídeo:

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