Compartilhamento de patinetes deve ser retomado em São Paulo
Empresa FlipOn manifestou interesse em ofertar o serviço, mas o projeto para implementação ainda está em análise pela prefeitura
São Paulo|Joyce Ribeiro, do R7

O compartilhamento de patinetes já foi uma realidade não muito distante na cidade de São Paulo. Diversas empresas disputavam o mercado, até então desconhecido pelos paulistanos. Após a regulamentação do sistema em 2019, no entanto, os equipamentos sumiram das ruas. Agora, a FlipOn manifestou interesse em oferecer o serviço na capital, mas, para isso, precisa atender às normas impostas pela prefeitura, como a criação de estações para entrega de patinetes.
"A empresa surgiu de estudos e pesquisas dos modelos anteriores, de empresas que quebraram paradigmas, e veio como um modelo de negócio que pode ser expandido para todo o país. Temos a maior frota em operação de patinetes compartilhados. São Paulo necessita de micromobilidade urbana e não pode ficar de fora", afirmou Mauricio Petinelli, diretor comercial da FlipOn.
Felipe Benevides tem 36 anos e foi usuário de patinetes em São Paulo. Cicloativista, ele não tem carro e usa todas as formas de transporte para realizar as atividades diárias, seja a pé, de bicicleta ou em carros de aplicativo.
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"Sou súper a favor da intermodalidade. Uso a bicicleta como meio de transporte. Na época em que havia patinetes eu usava para trajetos curtos, para completar uma das minhas 'pernas' de caminhada. Usava quando ia de uma reunião para outra na Faria Lima ou quando saía do trabalho e ia para o ponto de ônibus ou metrô", conta.
Felipe disse se sentir seguro ao usar patinetes no cotidiano. "Não vejo nenhuma necessidade de ter equipamento obrigatório como capacete, joelheira ou viseira. Cada um tem que ser responsável pela sua segurança, sendo que o maior protege o menor. O cara do patinete tem que tomar cuidado com o pedestre, o ciclista com o cara do patinete, e assim por diante", defende.
Regulamentação
Em 31 de outubro de 2019, a Prefeitura de São Paulo publicou a regulamentação do sistema de compartilhamento de patinetes por aplicativos "com o objetivo de garantir a segurança de todos os usuários do espaço público, alinhada com os princípios do Plano de Segurança Viária adotado pela capital".
Entre as regras detalhadas no Decreto nº 58.907, estão patinetes elétricos para uso individual, com velocidade máxima de 20 km/h para uso em ciclovias, ciclofaixas e vias com limite de até 40 km/h ou em ruas de lazer. Não é permitido circular nas calçadas.
Também é preciso ter indicador de velocidade, campainha e sinalização noturna, dianteira, traseira e lateral, incorporados ao equipamento. As dimensões de largura e comprimento devem ser iguais ou inferiores às de uma cadeira de rodas.

Segundo o decreto, só adultos podem usar patinetes. Não será permitida a devolução dos equipamentos fora das estações ou pontos de estacionamento. No passado, eles eram deixados em qualquer espaço da cidade.
Caso seja identificada a presença de patinetes por empresa não credenciada, os equipamentos serão apreendidos e haverá aplicação de multa.
Proposta da FlipOn
A empresa já está em 20 cidades do país, entre elas Porto Alegre (RS), Uberaba (MG), Campo Grande, Três Lagoas e Dourados (MS), Boa Vista (RR), Cabo Frio (RJ) e Santos, Ilhabela, Riviera e São Carlos (SP).
A FlipOn já fez o credenciamento na Prefeitura de São Paulo e disse ter apresentado um plano operacional para um ano, em fases, como forma de complementar o serviço de transporte público.
Na primeira etapa, 200 patinetes serão disponibilizados ao longo de três meses nas avenidas Faria Lima, Paulista e Berrini. Na segunda fase, serão 400 equipamentos em seis meses e, na terceira, mais 700 em um ano. A atuação da empresa será estendida para as regiões norte, oeste e leste da capital.
De acordo com o plano, serão dez estações virtuais para pegar e devolver patinetes em cada área, com aproximadamente 70 equipamentos por região.
"São estações com geocercas virtuais. O usuário vai localizar pelo mapa do aplicativo, mas vai ter sinalização física no local também. Já fizemos testes, já temos a empresa licenciada que vai administrar e operar o serviço. É uma empresa parceira, que é da cidade, e entende a demanda local, como comportamento da população, geografia, assim é mais acertiva a implantação", ressalta Mauricio Petinelli.

Para destravar o equipamento, o usuário vai pagar uma taxa de R$ 3,20 via aplicativo e então será cobrado R$ 0,50 a cada minuto.
Haverá planos mensais com a proposta de gerar economia e praticidade. No entanto, os valores variam de acordo com a distância e o tempo de utilização de cada usuário.
Felipe Benevides afirma que só vai voltar a usar patinete se gerar economia. "Voltaria a usar se tiver preços bons, competitivos. Para mim, não vale a pena trocar, por exemplo, a bike compartilhada, com a qual consigo fazer plano anual pagando menos de R$ 1 por dia, por patinete, que é muito mais caro. Só se tiver promoções, com pontuação, aí vale a pena", conclui.
Segundo a FlipOn, a operação é cara, e entre os maiores gastos da empresa estão a aquisição de equipamentos, manutenção e gestão da frota.
O aplicativo é simples e está disponível para celulares Android e IOS. O pagamento pelo usuário pode ser feito por cartão de crédito e Pix.
Acidentes
Um dos problemas enfrentados no passado foi o vandalismo e roubo de patinetes. Uma diferença é que agora os equipamentos são rastreados via GPS. Para a FlipOn, isso ainda acontece nas cidades onde o serviço é oferecido, mas "em nível aceitável". Caso a empresa sofra com danos constantes aos equipamentos, o prejuízo acaba sendo repassado ao usuário final.
Patinetes têm agora a velocidade máxima travada em 20 km/h. Assim, não é possível ultrapassar o limite permitido por lei. Por consequência, caem os índices de acidentes.
"A população já está mais acostumada com duas rodas e tem outro comportamento com ciclovias e ciclofaixas. Está mais preparada para preservar equipamentos e a operação. A nossa premissa é a segurança, e hoje é perto de zero o índice de acidentes nesse modelo", enfatiza o diretor comercial.
Para o cicloativista, acidentes, como quedas, acontecem: "O que importa é você ter uma regulamentação de velocidade, no trânsito como um todo, sinalização, especificação de onde deixar o equipamento e controle de parada".

Sem prazo
Em nota, o CMUV (Comitê Municipal de Uso do Viário) de São Paulo informou que, atualmente, há uma empresa de compartilhamento de patinetes credenciada. "Mas ela ainda não entregou os projetos necessários para que a operação receba a avaliação e aprovação das equipes técnicas do município."
Não há licitação ou nenhum processo de concorrência nesse tipo de serviço. Qualquer empresa pode manifestar interesse em explorar o mercado, desde que siga a regulamentação. Se mais de uma aparecer, cada caso será analisado e, se estiverem dentro das normas, todas poderão operar na cidade.
"A Prefeitura de São Paulo está atenta à movimentação das empresas de micromobilidade e atua para garantir a segurança dos usuários do sistema viário, especialmente os pedestres, o uso democrático do espaço público e a integração entre os modais", escreveu em nota.
A FlipOn está confiante em iniciar a operação em breve em São Paulo. "Não deram prazo, mas a prefeitura está atenta, nos responde rápido. Da nossa parte está tudo certo para dar início", relata Mauricio Petinelli.
















