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Confecções do Brás devem indenizar vítimas de trabalho escravo em SP

Empresas do Bom Retiro e do Brás assinaram acordo com Ministério Público do Trabalho e devem pagar R$ 324 mil para os trabalhadores

São Paulo|Do R7

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Ao menos 12 pessoas trabalhavam em condições semelhantes a de escravidão
Ao menos 12 pessoas trabalhavam em condições semelhantes a de escravidão

Duas confeccções que mantinham oficinas de costuras nos bairros do Brás e do Bo, Retirno, no centro de São Paulo, formalizaram um acordo com o MPT (Ministério Público do Trabalho), nesta terça-feira (30), em São Paulo, se comprometendo em pagar R$ 324 mil em indenizações para 12 trabalhadores resgatados em situação análoga à de escravidão, produzindo roupas para suas lojas.

A maioria dos trabalhadores eram adolescentes, e eram proibidos de sair do local de trabalho e recebiam cerca de 2 reais por peça produzida. Além da indenização, as empresas se comprometeram em pagar R$ 2 mil de indenização de ajuda humanitária aos trabalhadores, ainda no dia do acordo.

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Os valores foram definidos por meio da assinatura de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) entre as empresas e o MPT-SP, representado pelo procurador do Trabalho Marcelo Freire Sampaio Costa.

"O resgate de trabalhadores em situação análoga à escravidão é meta histórica e uma das prioridades da atuação do Ministério Público do Trabalho", afirmou Sampaio.

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Denúncia de Consulado

As duas oficinas foram descobertas quando o Consulado Geral do Peru recebeu no início de julho deste ano dois adolescentes peruanos com um bebê, que haviam fugido de uma das oficinas de costura.

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O Consulado informou o MPF (Ministério Público Federal) que resultou numa forrça-tarefa em conjunto com a Polícia Federal, realizada em 25 de julho na oficina improvisada, onde foram econtrados outros 9 costureiros peruanos e dois bolivianos trabalhando desde 2017 em condições degradantes.

As roupas produzidas eram vendidas nos bairros do Brás e do Bom Retiro, conhecidos centros populares de comércio de roupas na cidade de Sâo Paulo.

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Segundo uma das vítimas, o dono da oficina clandestina repassava apenas cerca de R$ 2 por peça produzida, que nas lojas eram vendidas por dezenas de reais, e muitas vezes demorava semanas para pagar os valores, que estavam muito abaixo do piso salarial da categoria.

Além disso, o homem retinha as chaves do local e não permitia que os trabalhadores saíssem. Quando os trabalhadores desejavam ir embora da oficina, que também era seu local de moradia, ele afirmava que estariam devendo o dinheiro da viagem de seus países de origem até São Paulo, o que caracteriza servidão por dívida.

As vítimas também relataram que as jornadas de trabalho eram exaustivas, com cerca de 14h diárias, e o trabalho era realizado em local sem condições de ergonomia, segurança e higiene.

"As provas produzidas pela fiscalização do trabalho em São Paulo foram fundamentais para o êxito nessa questão", afirmou o procurador Marcelo.

Caso a empresa não pague as quantias no acordo, estará sujeita a multa de R$ 35 mil por obrigação descumprida e R$ 10 mil por trabalhador prejudicado. Os valores são destinados ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

Os três adolescentes resgatados, dois de 16 e um de 17 anos, todos de nacionalidade peruana, receberão as rescisões por meio do Consulado Geral do Peru em São Paulo. O cônsul geral do Peru é considerado pela legislação autoridade competente para gerir os recursos até que os adolescentes atinjam a maioridade. Eles serão repatriados.

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