Consumidor usa lei para dispensar couvert em SP
Para Associação de Bares e Restaurantes, empresas precisam melhorar relação custo-benefício
São Paulo|Do R7
Amanhã completam dois anos que nenhum garçom no Estado de São Paulo pode empurrar o couvert para o cliente sem antes perguntar se ele aceita. Fiscalizada pelo próprio consumidor, a lei pegou. Na última semana, a reportagem do jornal "O Estado de S. Paulo" ouviu dez proprietários ou responsáveis por restaurantes paulistanos. Eles dizem que, após a lei, cerca de 20% dos clientes recusam o couvert.
Leonardo Recalde, um dos proprietários do restaurante Cosí, afirma que mudou o hábito do consumo.
—Tem menos gente pedindo couvert e mais gente questionando as regras.
A proprietária do restaurante Quattrino, Mary Nigri, diz que o consumo aumentou.
— A diminuição do consumo de couvert, porém, não reflete em queda do faturamento. Ao deixar de consumi-lo, a pessoa acaba pedindo mais pratos.
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O que mais mudou, dizem os empresários, foi o comportamento do consumidor. Mais consciente, mais reclamão e, em alguns casos, até um pouco desonesto, como conta Fábio Lellis, proprietário da cantina Lellis Tratoria.
— No início foi difícil. Havia muita gente metida a fiscal, achando que tudo estava errado. Já escutei casos de fregueses que pedem o couvert e, na hora de pagar, argumentam que não pediram e aí fica por isso mesmo. Felizmente não é o caso da minha clientela.
Para o presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Joaquim Saraiva de Almeida, as empresas precisam rever o que estão servindo nos couverts para aumentar seu consumo.
— Acho que dá para chegar a apenas 5% de negativas, se os restaurantes melhorarem a relação custo-benefício.
Mimo
Na contramão, algumas casas oferecem o couvert de graça, como um mimo aos clientes. É o caso do Eat, misto de empório com restaurante, inaugurado em 2012, como explica o chef Manuel Coelho.
— A lei existia, mas já tinha a ideia na cabeça. O couvert tem um custo baixo ao restaurante e funciona como uma gentileza ao cliente, enquanto espera pela refeição. É uma delicadeza, assim como a garrafa de água que levamos à mesa, sem custo ao cliente.














