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Convencidos de que Kaique não cometeu suicídio, manifestantes fazem protesto contra homofobia

Ato cobra providências do poder público em relação à violência contra homossexuais

São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

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Manifestantes se concentrarão em frente à Secretaria de Segurança
Manifestantes se concentrarão em frente à Secretaria de Segurança

No dia em que a morte de Kaique Augusto Batista dos Santos, de 17 anos, completa um mês, manifestantes farão um ato para cobrar providências do poder público em relação à violência contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. Santos, que era homossexual, foi encontrado morto sob um viaduto na avenida Nove de Julho, no centro de São Paulo. No boletim de ocorrência, o caso foi registrado como suicídio.

De acordo com o advogado Luís Arruda, 36 anos, ele e os outros organizadores do protesto não estão convencidos da versão.


— A gente acha muito estranho a polícia querer colocar esse laudo como suicídio sem uma investigação mais aprofundada.

O ativista explica que a história de Kaique Augusto Batista dos Santos é um exemplo de uma “questão muito maior”.


— É o que aconteceu com o Bruno [Borges, agredido até a morte no último dia 26], com o Juliano [Zequini Polidoro], que foi atacado na Augusta cheia de gente. Não foi em uma rua deserta. Ele foi atacado no meio das pessoas.

O protesto, chamado de “Criminalização da homotransfobia, um mês sem Kaique”, está previsto para começar em frente à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. De lá, o grupo segue até o cruzamento da rua Augusta com a Peixoto Gomide. Está planejada ainda uma parada no viaduto Nove de Julho, onde o corpo de Santos foi localizado.


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Segundo a página do evento no Facebook, mais de 17.000 pessoas foram convidadas. Até às 19h desta segunda-feira (10), 521 internautas haviam confirmado presença.


— Nosso objetivo é cobrar do poder público medidas que protejam a gente dessa violência, que pode ser, inclusive, uma reação às conquistas que a comunidade tem conseguido, e ocupar o espaço público. O ato termina na esquina da Augusta com a Peixoto Gomide. É um recado do tipo: "A gente não vai sair daqui. Este é nosso espaço também". É um espaço coletivo e todo mundo tem o direito de frequentar esse lugar.

O advogado e militante completa, enfatizando que o Estado, a polícia e a Secretaria de Segurança Pública têm que garantir aos homossexuais o direito de andar pelas ruas sem que sofram ataques em razão da orientação sexual.

— Se a Secretaria de Segurança Pública não se movimentar, o recado que ela acaba passando é: “A diversidade não é bem vinda em São Paulo. Não seja diferente”[...] A violência que acontece contra os homossexuais não é igual à violência que acontece em um assalto, em um roubo. Essa violência não tem um endereço certo. Já a violência contra homossexual é direcionada. As pessoas que querem praticar esse tipo de crime já saem com ódio na cabeça. Você está arriscado a morrer se é homossexual e demonstra isso na rua.

Como forma de simbolismo, os organizadores do protesto pediram que os participantes levem apitos.

— É uma coisa que funciona muito fora do Brasil. Pessoas ou grupos estigmatizados e vítimas de violência têm como prática de segurança carregar um apito. Quando elas se sentem ameaçadas ou com medo, elas tocam o apito. Isto funciona em países onde as pessoas têm consciência cidadã em ajudar o outro.

Suicídio

O boletim de ocorrência sobre a morte de Kaique Augusto Batista dos Santos, registrado como suicídio, inicialmente provocou dúvidas entre os familiares do adolescente. Mas no dia 21 do mês passado, a mãe do jovem declarou estar convencida de que o filho havia se matado. Investigadores e o advogado que representa a família analisaram um diário escrito pelo rapaz que indicaria uma frustração amorosa. A conclusão foi de que o jovem estaria com problemas psicológicos.

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