Covas rechaça fala de Paulo Guedes e diz que iria às ruas contra AI-5
Na segunda-feira (25), Paulo Guedes havia dito para que não se assustassem se alguém pedisse um novo AI-5, ato institucional da ditadura militar brasileira
São Paulo|Do R7

O prefeito de São Paulo Bruno Covas se posicionou contra a fala de Paulo Guedes, ministro da Economia, de que as pessoas não deveriam se assustar se alguém pedisse um AI-5, ato institucional mais duro da ditadura militar no Brasil.
Leia também
Em uma publicação em sua conta no Instagram, Covas disse que iria às ruas protestar contra uma possível medida deste tipo.
"Alguém me avise se pedirem o AI-5 de novo para eu sair do hospital e ir pra rua protestar contra. #democracia #AI5nao", escreveu o prefeito, que, nesta terça-feira, passa por sessão de quimioterapia no Hospital Sírio Libanês.
Fala de Guedes
Na segunda-feira (25), em Washington D.C., capital dos Estados Unidos, Paulo Guedes disse a jornalistas para não se assustassem se alguém pedisse um novo AI-5, o ato institucional editado em 1968 que cassou as liberdades individuais e fechou o Congresso.
"É irresponsável chamar alguém pra rua agora pra fazer quebradeira. Para dizer que tem que tomar o poder. Se você acredita numa democracia, quem acredita numa democracia espera vencer e ser eleito. Não chama ninguém pra quebrar nada na rua. Ou democracia é só quando o seu lado ganha? Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo pra quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente?", afirmou Guedes, em referência à ditadura vivida pelo país por pouco mais de duas décadas.
Repercussão do comentário
Outras figuras políticas também se posicionaram contrárias ao comentário do ministro do Governo Bolsonaro. Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Marcos Pereira (Republicanos-SP), respectivamente presidente e vice-presidente da Câmara, criticaram as falas recentes sobre uma volta do AI-5.
"Não parece adequado que um parlamentar democraticamente eleito possa sugerir a volta de mecanismos de censura e de perseguição política. Não faz sentido nenhum", afirmou Marcos Pereira.
Maia, por sua vez, disse que "não dá para usar a palavra AI-5 como se fosse bom dia, boa tarde. Parece que os extremos estão mais se preparando para uma batalha campal do que para um disputa eleitoral no futuro".
Presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli afirmou que o AI-5 é incompatível com a democracia. "Não se constrói o futuro com experiências fracassadas do passado", disse ele.
















