Cracolândia: fluxo de usuários é deslocado para perto da estação da Luz, no centro de SP
Segundo comerciantes, os dependentes químicos foram dispersados da rua dos Gusmões, onde estavam passando a noite
São Paulo|Do R7, com informações da Agência Estado e da Agência Record
Após mais uma noite de correria no centro de São Paulo, o fluxo da Cracolândia, nome dado à aglomeração de usuários de drogas em cenas de uso, migrou na noite desta terça-feira (8) para mais próximo da estação da Luz, uma das mais movimentadas da capital paulista. Segundo comerciantes, os dependentes químicos foram dispersados da rua dos Gusmões, onde estavam passando a noite nos últimos meses.
Durante a ação, comandada pela GCM (Guarda Civil Metropolitana) em parceria com a Polícia Militar, os usuários de drogas arremessaram pedras nos agentes envolvidos, e um PM foi atingido no braço, segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública).
Ele foi levado para um hospital e liberado após receber medicação. A pasta afirmou que algumas ruas da região foram interditadas pelo fluxo e que houve queima de lixo durante a ação. Não houve registro de detidos.
• Clique aqui e receba as notícias do R7 no seu WhatsApp
• Compartilhe esta notícia no WhatsApp
• Compartilhe esta notícia no Telegram
• Assine a newsletter R7 em Ponto

"Os usuários atearam fogo em lixo e interditaram a avenida Duque de Caxias e as ruas Guaianases e General Osório. Uma equipe do Corpo de Bombeiros compareceu ao local e desobstruiu a via", afirmou a Secretaria da Segurança Pública. "Houve a intervenção com uso de munição de menor potencial ofensivo", acrescentou.
A pasta disse, ainda, que as polícias Civil e Militar, em conjunto com a Guarda Civil Metropolitana, continuam a realizar ações para requalificar as vias da região, proteger a população e prender traficantes e criminosos, visando coibir a criminalidade na região central.
Segundo a secretaria, a ação da GCM teve o objetivo de "requalificar a rua dos Gusmões e adjacências". A via fica próximo à rua Santa Ifigênia, uma das mais carregadas de comércio na região e que tem protagonizado cenas de violência.
Na noite do dia 1º de outubro, dependentes químicos saquearam uma loja de eletrônicos na rua Santa Ifigênia. Vídeos do episódio mostram dezenas de pessoas arrombando a porta do local e cercando a entrada, enquanto tiram os produtos de lá. Foi a segunda vez que o estabelecimento foi alvo.
"Chegamos aqui e estavam saqueando tudo. Tinha um grupo tirando as mercadorias da loja e outro protegendo eles", disse na ocasião Ângela Aparecida de Oliveira, de 44 anos. Nascida na Bahia, ela se mudou para São Paulo em 2013, ano em que abriu a loja. "Agora o meu plano é pedir ajuda da minha família para ir embora e tentar me levantar de alguma forma."
Leia também
Ao menos 11 endereços já foram ocupados pela Cracolândia no ano, segundo o mapeamento da prefeitura. Havia pelo menos dois meses, a Cracolândia estava passando o dia na rua dos Protestantes, entre Santa Ifigênia e Luz, em uma espécie de "horário comercial". Recentemente, um vigilante foi morto por lá em uma tentativa de assalto.
De noite, os usuários voltavam para a rua dos Gusmões, no cruzamento com a avenida Rio Branco. A rotina se estabeleceu após uma manifestação organizada no começo de agosto pela União Santa Ifigênia, entidade que representa comerciantes e proprietários de imóveis da região, para cobrar medidas da prefeitura e do governo do estado.
Uma demanda central dos comerciantes é afastar o fluxo quanto antes das ruas que têm mais estabelecimentos, como justamente a Santa Ifigênia. Agora, com a nova movimentação, usuários não sabem qual rotina vai se manter. "A cada dia que passa está pior, a Santa Ifigênia está acabando", disse a lojista Edna Pereira, de 53 anos.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de São Paulo para obter mais detalhes sobre a ação da GCM, mas ainda não teve retorno.
Veja imagens da primeira feira livre de SP, localizada na Cracolândia
A feira de quinta da Santa Ifigênia, mesmo lugar onde ocorreu a primeira feira livre de São Paulo há 109 anos, sobrevive à Cracolândia e, por enquanto, resiste a ataques e roubos
A feira de quinta da Santa Ifigênia, mesmo lugar onde ocorreu a primeira feira livre de São Paulo há 109 anos, sobrevive à Cracolândia e, por enquanto, resiste a ataques e roubos





















