Das dez vias mais perigosas para ciclistas em São Paulo, sete não têm ciclovias
Em vias movimentadas da cidade, ciclistas têm de disputar espaço com carros e outro veículos
São Paulo|Dinalva Fernandes, do R7

Das dez vias mais perigosas da cidade de São Paulo para ciclistas, apenas três têm ciclovias, apontam dados obtidos com exclusividade pelo R7 com base na Lei de Acesso à Informação (confira quadro completo abaixo).
Desde julho, a Prefeitura vem implantando uma série de vias exclusivas para bicicletas. Mas, das dez ruas e avenidas com maior número de acidentes de bicicleta em 2013, somente uma ganhou nova ciclovia: a avenida Sapopemba, segunda do ranking.
Primeira da lista, a avenida Inajar de Souza tem, em seu canteiro central, uma antiga pista para bicicletas. A marginal Pinheiros, terceira colocada, tem uma pista junto ao rio, inaugurada em 2010.
Nas demais avenidas e ruas perigosas — em ordem: avenida Celso Garcia, avenida Raimundo Pereira de Magalhães, avenida Paulista (que possui um projeto de pista exclusiva para ser implantada no ano que vem), avenida do Estado, estrada do Campo Limpo e rua Voluntários da Pátria —, os ciclistas têm de competir com os carros.
Questionada sobre o critério de escolha para a implantação de ciclovias, a CET informou que prioriza a conectividade e equipamentos públicos já existentes. Em nota, a companhia afirma que “os projetos estão sendo desenvolvidos para permitir ligações perimetrais e radiais para construção de uma rede estrutural cicloviária; deverão ter conectividade de trajetos e linearidade que proporcione menor distância nas viagens”.
Faixa reversível
O ajudante-geral Rafael Castro, de 25 anos, costuma pedalar na avenida Celso Garcia, quarta do ranking. Ele afirma que a faixa reversível, implantada à tarde na via para melhorar o tráfego de carros, complica bastante a situação para quem pedala.
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— No fim da tarde, é montada faixa reversível para facilitar o fluxo de carros. Aí fica ainda mais complicado de andar aqui.
Castro gasta cerca de 30 minutos em um trajeto de 8 km do Belém, na zona leste, até a estação de Metrô Vila Esperança, todos os dias, usando bicicleta.
— Eu me machuquei aqui em janeiro de 2006. Eu era entregador de botijões de gás e fui atingido por um ônibus.
O ajudante-geral diz ter sofrido três traumatismos. Porém, depois de seis meses internado, voltou a usar bicicleta sem medo. Para Castro, uma ciclovia na região incentivaria mais pessoas a adotarem a bicicleta, principalmente por oferecer mais segurança.
Para ciclistas, o maior problema de pedalar é a falta de respeito dos motoristas
Já o motoboy Luis Carlos, de 30 anos, que também pedala na região, acha que a ciclovia no asfalto não resolve.
— Os carros são rápidos demais, [mesmo com uma ciclovia] dá medo de andar na avenida. Os carros podem avançar pela ciclovia e atropelar os ciclistas. Seria mais fácil se liberassem a calçada para os ciclistas.
Ele utiliza apenas bicicleta para os momentos de lazer.
Espaço
O lojista Rodrigo Messian, de 32 anos, morador de Santana, diz utilizar a bicicleta de segunda a sexta-feira para ir trabalhar na região da rua 25 de Março, há três anos. Ele afirma ter de passar por várias vias sem ciclovias, como a rua Voluntários da Pátria, a décima colocada no ranking.
— Eu prefiro andar de bike porque é mais rápido e é um esporte gostoso. Você sente o vento no rosto e é mais legal que correr, por exemplo.
Messian admite já ter caído da bicicleta. Ele ressalta que o ciclista precisa ser muito atencioso para se livrar das “fechadas” dos motoristas.
— [o ciclista] deve prestar muita atenção. Eu, por exemplo, nem uso fones de ouvido para não me distrair e só focar no trânsito.
Ele também acredita que seria bom mais ciclovias. Mas acredita que, na Voluntários da Pátria, não tenha espaço suficiente para isso.













