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De pai para filho: Cemitério da Consolação vai ganhar novo guia

Durante 23 anos, Popó trabalhou no cemitério conduzindo os passeios; ele vai deixar o cargo após iniciativa privada assumir gestão

São Paulo|Letícia Dauer, do R7

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Patrick e Popó
Patrick e Popó

Há 23 anos, o ex-sepultador Francivaldo Almeida Gomes — mais conhecido como Popó — é o único guia do Cemitério da Consolação, no centro de São Paulo. Considerado pelo público um guardião deste museu a céu aberto, que tem mais de 300 esculturas e mausoléus, ele trabalha para manter viva a memória da cidade em cada visita guiada.

Entretanto, aos 55 anos, seu reinado está chegando ao fim com a gestão da concessionária Consolare, que assumiu a administração do Cemitério da Consolação em abril.

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Natural do Ceará, Popó é funcionário do SFMSP (Serviço Funerário do Município de São Paulo), responsável pela antiga gestão. Portanto, ele não poderá mais seguir na função de guia. De acordo com a concessionária, ainda não há um prazo para isso acontecer.

Para a grata surpresa de Popó, seu filho caçula, Patrick Kennedy Santos Gomes, de 28 anos, vai substituí-lo e assumir seu legado. O jovem começou a trabalhar em fevereiro para a Consolare na área da administração e, posteriormente, recebeu o convite para conduzir as visitas guiadas no lugar do pai.

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"Quando eu era criança, sempre acompanhava meu pai no trabalho, tanto na época de sepultador quanto de guia de visitas guiadas. Eu achava extraordinário o cemitério e o que o meu pai fazia", relembra Patrick ao R7.

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Antes da passagem de bastão, Patrick tem acompanhado Popó durante os passeios — que acontecem uma vez por semana — para aprender mais sobre o ofício e se acostumar com a multidão. O jovem terá o desafio de se igualar ao pai, conhecido pela desenvoltura e pelo conhecimento histórico. 

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"A paixão dele é o cemitério e a cidade de São Paulo. Desde quando eu era pequeno eu via isso nos olhos dele. Para mim, continuar o legado do meu pai é sensacional. Vai demorar para chegar ao nível dele, mas eu também pretendo ter minhas próprias ideias", explica o jovem.

Início do legado

Se hoje Popó é mestre, um dia ele foi discípulo do professor e historiador Délio Freire dos Santos. Ele foi o responsável pela criação do roteiro da visita guiada e atuava como administrador do Cemitério da Consolação até os anos 2000. 

Em 1989, Francivaldo passou no concurso público para sepultador e escolheu o Consolação para exercer a função. "O primeiro mês não foi fácil. Não conseguia fazer as refeições ao olhar aquelas pessoas enterrando seus entes queridos. Eu me envolvia muito", relata Popó. 

A obra 'Vencedores' foi construída em 1921
A obra 'Vencedores' foi construída em 1921

Entretanto, com o passar do tempo, o cearense foi se aproximando do professor Délio e se interessando pela história das personalidades sepultadas. Com a ajuda do mestre e dos estudos na Biblioteca Mário de Andrade, ele aprofundou seus conhecimentos. 

Em 2022, com a morte do historiador, Popó assumiu a administração do cemitério e a posição de guia das visitas.

Até hoje, o cearense lembra com carinho do historiador por meio da obra Vencedores, do artista italiano Luigi Brizzolara. A escultura retrata um ancião passando a tocha para um jovem. “Essa escultura representa muito para mim porque eu me vejo nela, recebendo a tocha do cemitério do meu professor Délio Freire.”

Artistas e ex-presidentes: veja quem está sepultado no Cemitério da Consolação (SP)

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