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Debates e teatro preparam alunos para novo vestibular

São Paulo|Do R7

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De olho nos vestibulares que começaram a exigir dos candidatos uma etapa de entrevistas, escolas particulares da capital e da Grande São Paulo reforçam atividades orais e estimulam que os estudantes debatam e saibam não só fazer uma boa redação, mas defender o que pensam. Os treinos incluem de aula de teatro obrigatória a simulação de debates políticos, passando por seminários e apresentação de trabalhos de conclusão de curso.

Instituições como a Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, Fundação Getulio Vargas (FGV) e Insper já adotam o formato em parte de seus processos seletivos, como segunda etapa da prova.

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Na Escola Lourenço Castanho, em Moema, zona sul de São Paulo, as ações aparecem de maneira interdisciplinar, com debates, seminários e projetos acadêmicos que precisam ser defendidos e organizados pelos estudantes.

O momento político atual e as eleições municipais renderam diversas atividades para estimular o debate entre os alunos. No mês passado, eles organizaram um debate com quatro candidatos a vereador. Além de preparar as perguntas, também mediaram e apresentaram o evento.

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"A tendência é existir cada vez mais esse tipo de avaliação nos vestibulares, que mostra o perfil socioemocional do candidato. As empresas já fazem isso há algum tempo, e as escolas estão indo atrás", explica o diretor-geral do Lourenço Castanho, Alexandre Abbatepaulo.

Preparação. Para os estudantes, a novidade causa muitas dúvidas e alguma insegurança. Caio Warwisk Altenfelder Silva, de 18 anos e aluno do 3.º ano do ensino médio no Lourenço Castanho, tentará uma vaga em Medicina no Albert Einstein. Para evitar surpresas, ele está conversando com quem já fez a prova. "É uma coisa inovadora, difícil de se preparar, mas na escola temos várias atividades que dão uma noção", diz.

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Caio conta que tem se esforçado mais para falar em todas as atividades que demandam discussões em sala. "Sou muito envergonhado, para falar é complicado. Prefiro a redação, mas tenho de me virar."

Henrique Lorenzetti Ferraz, de 17 anos, tentará uma vaga no Direito da FGV e também se prepara para a entrevista. "Tivemos um debate em sala na última semana em que um grupo tinha de se colocar a favor ou contra determinado tema. Isso exige preparo de pelo menos duas semanas, para colher os argumentos, chegar na frente da sala e apresentar todos os pontos. É preciso mostrar argumento, contra-argumento e rebater o outro lado. Além de contemplar muitos assuntos, isso acaba me dando maior flexibilidade ao falar", acredita.

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Já a aluna Stéfani Augustoli Morcillo, de 17 anos, que tentará o Albert Einstein, diz que a escola priorizou a opinião dos alunos. "Tenho me preparado estudando temas da atualidade e fazendo debates nas demais matérias", diz. No ano passado, a aluna participou pela primeira vez de duas feiras de ciências estudantis. "O projeto interdisciplinar me forçou a estimular não só a argumentação escrita, como a oral."

Teatro

Na Escola Villare, em São Caetano do Sul, a aposta é em aulas de teatro obrigatórias no 1.º ano do ensino médio (e opcional nos dois anos consecutivos) e no estímulo à apresentação de trabalhos em seminários. "Os alunos passam a conseguir se expressar melhor e ficam menos tímidos", afirma o coordenador pedagógico Ernani Soares de Paulo.

Henrique Herrera Piguin, de 17 anos, diz que as aulas contribuíram para que melhorasse sua oralidade. "Não tem algo mais público do que o teatro. Continuei fazendo mesmo depois que deixou de ser obrigatório. Aprendi a me expressar, me comunicar com as pessoas. E, no meio dessa rotina de vestibular, acaba sendo uma válvula de escape."

Já a escola Ítaca, no Butantã, zona oeste da capital, aposta em fóruns de debate, feitos após a realização de estudos do meio em outras cidades.

Recentemente, os estudantes foram para o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar). Lá, visitaram quilombos. Os alunos pesquisaram o local, fotografaram e, na volta, fizeram banners para ilustrar questionamentos que possam ter surgido, discutindo isso com os colegas de outros anos nesses fóruns.

"O importante é saber articular ideias na hora de falar. Não dá para revisar, como no texto escrito. Também é fundamental para retirar os vícios da fala que existem nessa idade, como 'tipo' e 'né'", diz a diretora pedagógica do ensino médio, Mercedes de Paula Ferreira. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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