“Decisão arbitrária”, diz pai de vítima sobre reintegração de PM
Justiça Militar decidiu pela volta de Marcelo Aparecido Domingos Coelho
São Paulo|Juliana Moraes, do R7

O cabo Marcelo Aparecido Domingos Coelho, acusado de matar a atriz e produtora cultural Luana Barbosa, foi reintegrado na Polícia Militar na última quarta-feira (18) devido a uma determinação da Justiça Militar do Estado de São Paulo assinada pelo juiz substituto Marcos Fernando Theodoro Pinheiro.
O caso aconteceu em 27 de junho de 2014, em Presidente Prudente, no interior paulista. Em entrevista ao portal R7, Marcos de Almeida Barbosa, pai da artista morta aos 25 anos com um tiro no tórax, falou sobre a decisão da Justiça Militar. “Ficamos muito chateados, indignados com isso, porque foi uma decisão, ao nosso ver, não só injusta, mas absurda e arbitrária”.
Segundo ele, a decisão vai contra os elementos periciais realizados após a morte de Luana. “Isso desconsidera todos os levantamentos periciais que foram feitos. O mínimo que queríamos é que ele tivesse essa punição: a demissão. A decisão da Justiça Militar é desrespeitosa não só com a memória da Luana, mas com todos os cidadãos”, declarou.
O cabo Coelho foi afastado da corporação em 15 de abril de 2015, pouco mais de um mês depois de ser absolvido no TJM (Tribunal de Justiça Militar). O caso foi definido como “legítima defesa” e “estrito cumprimento do dever legal”. O pai da vítima contesta a versão da polícia. “O crime foi cometido às 9h da manha, não há nada que pudesse caracterizar alguma ameaça ao policial”, explicou ele. “É um desrespeito e um desaforo alegar legitima defesa. Uma pessoa tão frágil e delicada como ela. É um termo absurdo esse”, completou.
Barbosa afirmou que não está correndo atrás de vingança e sim de Justiça, para que casos como o que terminou com a morte de sua filha não se repitam. “Queremos que mortes como a dela não aconteçam mais. É possível que se faça alguma coisa para que a polícia contenha crimes dessa natureza”, afirmou. “Não temos rancor nenhum contra ninguém, apenas queremos que a justiça seja feita. A PM não pode ser conivente com isso. A decisão corrobora pela continuidade desses crimes e pela impunidade, contribui para que esses crimes continuem. O que aconteceu, você vê quase que diariamente em São Paulo. É impossível não pensar que é injustiça”, continuou.
Ainda de acordo com Barbosa, a PM escondeu provas do dia do acidente. “Eles fizeram tudo o que é possível para que não houvesse a punição. a PM retirou as imagens de uma câmera de uma empresa de ônibus. A empresa, por determinação da policia, retirou a câmera do local”, acusou ele. “Se tivesse sido acidente, nada disso tinha acontecido. A promotoria relata que todos os procedimentos realizados naquele dia contrariam as normas de conduta da Polícia Militar”, afirmou.
À época, a PM alegou que Felipe não parou no bloqueio policial. Amigos do casal, no entanto, declararam que o rapaz procurava um local para estacionar quando houve o disparo. Barbosa, por sua vez, garante que os dois não estavam fugindo da polícia. “A moto tinha problema de freio, mas ele não estava em alta velocidade. Não houve evasão e não tinha motivo para o disparo. Se eles estivessem fugindo, que os policiais tivessem feito uma perseguição”.
O pai da vítima disse ainda que vai tentar reverter a decisão da Justiça Militar. “Temos que conhecer, avaliar e me parece que foi uma liminar. Estamos tomando informação pra tentar alguma medida. Entendemos a decisão totalmente irregular a partir do momento em que o juiz se baseia na decisão de um julgamento militar que foi anulado pelo STF (Supremo Tribunal Federal)”, informou. O crime, que aconteceu há mais de três anos, ainda é sentido diariamente na família de Luana. “Tenho uma outra filha mais nova que tem síndrome de down, ela ainda toma medicamento por causa disso. Ela é muito sensível. Lembramos dela todo dias, mas vamos vivendo. A gente espera Justiça. Só isso”.
Barbosa aproveitou para desabafar sobre a instituição. “A população, de uma certa forma, tem medo da policia, dessa agressividade. Eles tratam as pessoas como inimigo”, afirmou. “O governo precisa entender que a polícia tem que ser de atendimento ao cidadão. Ela presta serviço e não foi feita só para matar”.
Ao R7, a PM disse que não vai se manifestar sobre o assunto porque “houve uma decisão judicial e não cabe à PM comentar”. Felipe Barros, namorado da Lua e o condutor da moto na hora do disparo do policial, foi orientado a não comentar sobre o caso. “Não posso falar muita coisa, porque o processo está em segredo de Justiça e sou a vítima maior. Meus advogados me orientam a não falar sobre o caso”.














