Defesa está ajudando a acusação, diz advogado da família de Ubiratan
Para Cascione, depoimento do delegado do caso foi contundente
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

Após o encerramento do primeiro dia do julgamento de Carla Cepollina, acusada de assassinar o ex-namorado, o coronel reformado da Polícia Militar e deputado estadual Ubiratan Guimarães, em setembro de 2006, o advogado Vicente Cascione, contratado pela família da vítima, avaliou que a defesa da ré “por enquanto, está ajudando a acusação. Mesmo que não queira”.
Na previsão de Cascione, o julgamento termina nesta terça-feira (6), já que a terceira testemunha, o delegado José Vinciprova Sobrinho, foi liberada. Ele considerou o primeiro dia positivo e classificou o depoimento do delegado Marco Antônio Olivato, segunda e última testemunha a ser ouvida, de “contundente” e “irrespondível”. Olivato conduziu o inquérito que terminou no indiciamento de Carla. Ela responde por homicídio triplamente qualificado.
— Foi um depoimento contundente. Um experiente delegado. Sério, honesto, competente, que presidiu o inquérito. E o depoimento dele foi um depoimento que considero irrespondível. E irrespondível significa que a acusação vai sustentar a tese que se estriba na prova dos autos. Não vamos inventar nada, não vai ter retórica. Vamos mostrar os documentos dos autos, laudos, depoimentos que mostram de forma indiscutível que a autoria desse crime está absolutamente definida na pessoa da ré.
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Categórico, o assistente de acusação voltou a destacar que Carla Cepollina estava no apartamento da vítima na hora do crime, o que, segundo ele, é uma prova "categórica".
— O disparo [que atingiu o coronel Ubiratan] foi ouvido entre 19h e 19h30 e ela esteve dentro do apartamento das 17h até as 20h30. Portanto, o que aconteceu às 19h30, foi na presença dela. Ou ela é testemunha ocular privilegiada — e provavelmente amanhã [terça-feira] conte um fato novo dizendo quem matou o coronel — ou foi ela. Não tem outra saída.
Clima tenso
Durante depoimento que durou cerca de cinco horas, o delegado Olivato foi contestado, em diferentes momentos, pela advogada de defesa Liliana Prinzivalli, que também é mãe da acusada. A defensora chegou a dizer, mais de uma vez, que ele mentia.
O clima tenso permaneceu quando a defesa passou a questionar a testemunha. Liliana foi várias vezes advertida pelo juiz Bruno Ronchetti de Castro por introduzir, durante as perguntas, elementos novos que não constavam nos autos.
O magistrado chegou a repreender Liliana, dizendo que na fase inicial do processo, ela atuou como testemunha e que, agora, havia escolhido ser advogada da ré. Ronchetti enfatizou que uma pessoa não pode ser, ao mesmo tempo, testemunha e advogada, e, diante da opção feita por ela, deveria se abster de dar depoimentos pessoais.
— Se não souber pautar as perguntas dentro das regras, terá que fazer por meio de [Eugênio] Malavasi [também advogado de defesa].
E foi o que aconteceu. Instantes depois, Liliana foi advertida novamente pelo juiz e acabou impedida de prosseguir com os questionamentos ao delegado, tarefa assumida por Malavasi.
Alguns minutos depois, ela se retratou, admitindo que havia se excedido. Em seguida, prometeu fazer perguntas conforme o juiz determinasse. O magistrado deu, então, “um voto de confiança”, e ela retornou.
Cansaço
Já passava das 23h, quando foi cogitada a interrupção do depoimento do Olivato em razão do cansaço dos jurados. Os trabalhos haviam começado às 15h40. Diante da negativa do magistrado em prosseguir com os questionamentos ao delegado na terça-feira, Liliana, que também se disse cansada, afirmou que tinha muitas perguntas mais a fazer, mas em respeito ao júri, iria fazer apenas cinco e encerrar, o que ocorreu às 23h13.
Loira e firme
A advogada Carla Cepollina apareceu loira no plenário dez do Fórum da Barra Funda, na zona oeste da capital paulista. De terninho preto, blusa branca e salto alto, demonstrou segurança na maior parte do tempo.
Mas a aparente tranquilidade contrastava com o movimento de um dos pés. De pernas cruzadas durante vários momentos, ela o balançava, indicando suposta inquietação.Carla chegou a ser retirada do plenário por se manifestar sem autorização.
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