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Discutir comércio nos Jardins é tratar de 0,1% da cidade, diz Haddad

São Paulo|Do R7

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O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse na manhã desta quarta-feira, 3, que representa toda a cidade e não apenas 0,1% dos paulistanos ao se referir à criação de Zonas Corredores (ZCor) em bairros hoje em Zonas Exclusivamente Residenciais (ZERs), como os Jardins. "A cidade tem 17 mil quilômetros de vias e estamos discutindo 17 km (nos Jardins), 99,9% estão fora da discussão. Não podemos transformar 0,1% das vias numa questão que não permita conciliação", afirmou o prefeito. Nos Jardins, 11 ruas serão incorporadas na Zcor.

O texto da lei foi enviado na terça-feira, 2, à Câmara Municipal e passará por 40 audiências públicas até a votação, prevista para o fim do ano. A lei é tida como um complemento ao Plano Diretor Estratégico de 2014. Define qual atividade pode ser desenvolvida em cada terreno da cidade.

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Na Câmara Municipal, Haddad disse que há vereadores que só representam 0,1% da população. "Eu respeito. Sei que tem vereador que só pensa no seu quarteirão. Mas não é o papel do Executivo municipal. Mas o Executivo representa 100%, não 0,1%. Tenho que olhar para o conjunto das demandas, que são muitas vezes conflitantes, mas no sentido de harmonizá-las, não de impor vitória ou derrota a quem quer que seja".

Haddad afirmou que vai defender as Zonas Corredor (Zcor) na Câmara e que "os bons argumentos vencerão".

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"(Não tenho) Nenhuma arrogância em relação ao texto. Muito pelo contrário. O que todo mundo tem que ter agora é humildade diante da complexidade da cidade. Se todo mundo tiver humildade e for para a mesa de negociação com boa fé, quem sabe a gente não consiga aprovar com 55 votos?", disse.

A proposta final de revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo libera 17,5 quilômetros de vias nos Jardins, na zona sul de São Paulo, para exploração comercial. A medida vale também para outros bairros até então estritamente residenciais, para revolta dos moradores, que já estudam ações judiciais contra a Prefeitura.

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Com as novas Zonas Corredor (ZCor), haverá permissão de comércio em vias desses bairros. Na primeira proposta apresentada por Haddad, em fevereiro, havia ZCors em 12 vias dos Jardins. Com a reação dos moradores, ele manteve 11 - retirou só a da Rua Sampaio Vidal.

Já no restante da cidade, o projeto prevê ZCors em 45 corredores, cruzando bairros como Moema, na zona sul, e Pinheiros, Lapa e Perdizes, na zona oeste. O tamanho dos imóveis não será alterado.

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Cota ambiental

A Prefeitura defende que a maior inovação da nova lei de zoneamento é a criação da cota ambiental para novas edificações.

Com o dispositivo, Haddad obriga empreendimentos imobiliários com lotes acima de 500 metros quadrados a atingirem pontuação mínima de cota ambiental para obter licenciamento. A expectativa do prefeito é que a cota ambiental vire referência para outras cidades.

"Nenhum prédio da cidade agora vai deixar de observar o mínimo de compromisso com o meio ambiente, o futuro da cidade. Isso impacta ilha de calor, impacta utilização de água que é escassa. Impacta questão da energia elétrica", afirmou.

Para Haddad, o impacto em relação ao preço dos novos imóveis que respeitem a cota ambiental será "muito pequeno" diante dos benefícios ao meio ambiente. "Todo mundo vai ter que fazer um esforço ambiental daqui pra frente".

Periferia

A nova lei incentiva a instalação de comércio, serviço e indústrias na periferia, nas chamadas Zonas Mistas de Interesse Social (ZMIS). A proposta é que parte dessas zonas populares, já consolidadas, passem a atrair empregos para a periferia. O uso passará a ser misto porque permite, além das residências, novas atividades econômicas para criar novos centros nas periferias.

O prefeito defendeu como um dos pontos mais importantes da lei a criação da zona mista nas Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), que vai regularizar a economia local. "A economia local em Zeis é muito prejudicada pela legislação atual. Estamos facilitando a vida do empreendedor popular, que é aquele que não recebe atenção do poder público porque muitas vezes não tem exatamente voz e vez."

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