São Paulo 'Dói saber que uma pessoa tão boa tenha levado um fim desses', diz afilhada de policial fuzilado

'Dói saber que uma pessoa tão boa tenha levado um fim desses', diz afilhada de policial fuzilado

Marcelo Gonçalves Cassola foi morto com ao menos 40 tiros e o corpo dele deixado em uma ciclovia de Santos, no litoral de SP

  • São Paulo | Isabelle Amaral*, do R7

Marcelo Gonçalves Cassola foi alvejado com 40 tiros; o corpo ficou irreconhecível

Marcelo Gonçalves Cassola foi alvejado com 40 tiros; o corpo ficou irreconhecível

Reprodução/Redes sociais

A família e os amigos do policial civil Marcelo Gonçalves Cassola, de 49 anos, encontrado morto após ser fuzilado em uma ciclovia de Santos, no litoral de São Paulo, estão desolados não apenas com a perda, mas também com a brutalidade do crime. "Dói muito saber que alguém com um coração tão bom tenha levado um fim desses", disse ao R7 Mariana Gonçalves, afilhada do agente.

Marcelo era chefe do setor de identificação da Polícia Civil na cidade. Ele comandava a equipe de papiloscopistas, policiais especializados em identificar impressões digitais. O corpo do agente foi reconhecido por meio da técnica com a qual atuava, isso porque, em razão do fuzilamento, com ao menos 40 tiros, ele ficou repleto de ferimentos.

Segundo a afilhada, Cassola era dedicado ao trabalho e à família. Apesar de os familiares morarem em Suzano, na Grande São Paulo, ele vivia em Santos com a namorada há mais de dez anos, tinha dois filhos biológicos e um adotivo.

A notícia da morte de Marcelo foi dada a Mariana pela madrinha dela. Com a voz embargada, ainda sem acreditar, a jovem disse que o policial ensinou várias lições de vida a ela: "Ele sempre me falava quanto era importante amar, ter mais paciência, querer aprender sempre mais, não guardar mágoa. Ele era uma pessoa que me inspirava muito".

Além disso, ela conta que, por conta da distância, fazia cerca de dois meses que eles não se viam, mas queriam marcar um encontro assim que as rotinas permitissem. "Estava morrendo de saudade dele e perdi ele, assim, do nada. Para piorar, foi de uma forma tão bruta, ele não merecia isso. Eu amava tanto o meu padrinho, não sei explicar o que eu estou sentindo agora", concluiu Mariana, que afirma que as pessoas que o mataram fizeram isso devido à profissão dele.

Amigo da vítima acredita em tentativa de roubo

Em uma rede social, Renato Martins, amigo de Cassola, afirmou que os suspeitos foram roubar o veículo do agente e, ao descobrirem que ele era policial, o mataram com muitos tiros. "Um excelente pai de família, um profissional exemplar, que atuava sempre com respeito e empatia. Os criminosos merecem punição exemplar, com o máximo rigor na aplicação da lei", afirmou.

Marcelo chegou a liderar, segundo Martins, um mutirão de atendimento para emitir documentos de identidade durante a fase mais grave da pandemia, com o objetivo de que os cidadãos conseguissem receber o auxílio emergencial sem terem nenhum problema com a documentação.

O policial não trabalhava mais na rua desde que assumiu o cargo de chefe do setor de identificação da corporação. Agora, a polícia investiga os autores e a motivação de um crime feito de uma forma tão brutal.

Segundo a perícia, o policial foi colocado diante de um muro e alvejado por uma arma de 9 milímetros e um fuzil. As cápsulas estavam nas proximidades do corpo. A maior parte dos disparos atingiu a vítima, enquanto outras balas foram encontradas na parede. Um homem chegou a ser preso após usar os cartões bancários de Cassola, ainda na cidade de Santos.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo lamentou, por meio de nota, a morte do agente. "Policiais da 3ª Delegacia de Homicídios da Deic de Santos realizam diligências em busca de elementos que auxiliem na identificação e prisão dos autores do crime", declarou a pasta.

"Nesta terça-feira, policiais militares prenderam em flagrante um homem de 45 anos por estelionato, no centro de Santos. Ele estava utilizando dois cartões de crédito que estavam no nome do policial. O fato é apurado."

Onda de assassinatos em Santos

A Baixada Santista vive uma onda de assassinatos: foram 18 casos em dois meses. Parte das vítimas foi achada em locais públicos com mãos e pés amarrados. Atentados contra agentes e ex-agentes de segurança pública chegam a 11.

A Polícia de Santos informou que ainda não pode afirmar que os casos tenham relação, mas as equipes investigam se as mortes foram comandadas por integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

A Baixada Santista é dominada pelo PCC, local de onde a maior facção criminosa do país exporta cocaína para outros continentes, por meio do porto de Santos.

*Estagiária sob supervisão de Fabíola Perez

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