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Doria quer colocar morador de rua em imóveis desocupados no centro

Em troca, donos dos imóveis terão abatimento de dívidas de IPTU e deixarão de pagar IPTU progressivo, cobrança extra para imóvel vazio

São Paulo|Do R7

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Plano de metas prevê criação de mil unidades habitacionais
Plano de metas prevê criação de mil unidades habitacionais

A gestão João Doria (PSDB) pretende iniciar em março um programa para abrigar moradores de rua de São Paulo em prédios desocupados da região central. A Prefeitura publicará chamamento público para atrair donos de imóveis interessados, que, em troca terão abatimento de dívidas de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e deixarão de pagar IPTU Progressivo, a cobrança extra para imóveis vazios.

Os moradores de rua serão incluídos no programa de locação social de São Paulo, que está sendo reformulado. Levantamento feito pela Secretaria Municipal de Habitação e pela Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), responsáveis pelo programa, aponta cerca de 370 prédios elegíveis para o projeto. O Plano de Metas de Doria prevê a criação de mil unidades habitacionais.

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Paralelamente, a Prefeitura vai reformar sete imóveis da Cohab, para incluí-los na locação social, somando 441 unidades. Por meio de convênio com o governo federal, a gestão espera R$ 50 milhões da União para as obras.

Locação social

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Na locação social, o beneficiário paga um porcentual de até 15% de sua renda para a Prefeitura e ganha, em troca, o direito vitalício do uso do imóvel, mas sem direito à propriedade. O secretário de Assistência Social, Filipe Sabará, afirma que a proposta é destinar as unidades aos moradores de rua que já têm alguma renda, inscritos em programas sociais. “A ideia é ser a porta de saída para aqueles que já estão em albergues e têm renda por meio do programa Trabalho Novo (que oferece emprego a moradores de rua).”

Em São Paulo, a locação social existe desde 2004 e conta com seis imóveis (903 apartamentos). São unidades criadas para casos específicos, como idosos e ex-moradores de favelas - não para moradores de rua. A Cohab tem um programa de resgate de inadimplentes para evitar despejos, que são raros.

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Programas similares existem mundo afora. Um dos pioneiros sãos os projects, prédios reconhecidos pelas paredes de lajota, criados em Nova York nos anos 1930. Em Londres, a locação social é feita por subsídios.

Síndico

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Segundo o secretário da Habitação, Fernando Chucre, a diversidade de perfis dos moradores de rua exigirá testes para definir o modelo de administração predial ideal. A escolha do modelo é tida como vital para evitar a favelização desses espaços. “Em uma unidade, vamos fazer a gestão direta, pela própria Cohab. Em outra, vamos testar a gestão por uma Organização Social (OS). Tentaremos também a gestão de uma empresa privada e uma unidade com autogestão, feita pelos próprios moradores”. O acompanhamento de cada unidade definirá a organização no interior desses prédios no futuro.

Chucre, entretanto, afirma que também será testado um modelo chamado housing first, que consiste em dar casas para pessoas que têm resistência a qualquer tipo de abordagem do poder público - aqueles sem renda, que vivem de esmolas. “Vamos testar e iremos acompanhar”, afirma.

O padre Julio Lancelotti, da Pastoral do Morador de Rua da Igreja Católica, afirma que o modelo pode ser algo positivo para a cidade. “Desde que não seja a única opção. Afinal, são mil moradias para uma população de quase 20 mil pessoas.” O padre destaca também que os modelos de zeladoria dos imóveis “têm de preservar a autonomia” dos moradores. “Não são todos que têm uma renda que possa ser usada para pagar a cota deles do aluguel”, destaca.

O presidente da Cohab, Edson Aparecido, afirma que “a legislação permite o abatimento do IPTU” para os imóveis que atenderem ao chamamento, mas um projeto de lei específico será enviado à Câmara Municipal. Os imóveis interessados terão de fazer reformas, custeadas pelos proprietários, para tornar os prédios habitáveis. O valor das obras também poderá ser abatido da dívida. 

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