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"É preconceito e censura", diz professor afastado de sala de aula por usar saia em desfile

Vitor Pellegrin está há duas semanas sem lecionar aulas de geografia em escola de Campinas

São Paulo|Do R7*

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Professor foi afastado e alunos não têm aula há duas semanas
Professor foi afastado e alunos não têm aula há duas semanas

“É preconceito e censura”, afirmou o professor Vitor Pellegrin, afastado da sala de aula por usar saia no desfile de 7 de Setembro do ano passado, em Campinas, interior de São Paulo.

— É preocupante no ponto de vista da educação pública, porque nós temos um País muito violento e que se mostra cada vez mais preconceituoso. E a Prefeitura [de Campinas] não aceitou abrir o discurso, fazer políticas públicas em relação a tais preconceitos.


A prefeitura abriu o processo administrativo contra o docente e descreveu como insubordinação "colocar os alunos em uma situação humilhante”. Por isso, ele estaria sendo afastado da sala de aula. Pellegrin leciona aulas de geografia na Escola Municipal Professor Zeferino Vaz.

— A secretaria tem que explicar qual o problema de usar saia, qual o problema de levar cartazes com dizeres contra a homofobia. É problema um homem usar saia? É vergonhoso esse tipo de justificativa. É censura!


O docente, em entrevista ao R7, afirmou que os cartazes usados pelos alunos no dia 7 de setembro tinham os dizeres “não à homofobia”, “contra a violência da mulher”, “menina também joga bola”, “paz”.

Protestos


De acordo com a estudante Maria Isabel da Silva, os alunos irão protestar contra o afastamento do professor.

— Nós vamos fazer um protesto dia 4 em frente à prefeitura com todos de saia. E no dia 28 vamos fazer uma panfletagem na entrada e saída da escola.


Pellegrin acrescenta que os protestos marcados foram organizados por um conjunto de pessoas.

— Professores, servidores da área de saúde, servidores de assistência social, pais, alunos, militantes e coletivos feministas estão à frente dos atos.

Secretaria

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, a escola está com o quadro de professores completo desde o início do ano letivo. No caso do docente, o afastamento se cumpriu devido a um processo administrativo que o docente estaria respondendo. Ainda segundo a pasta, o processo foi instaurado depois que pais procuraram a direção da escola para reclamar que não houve pedido de autorização para que os filhos usassem cartazes e camisetas no desfile. A pasta afirma, ainda, que um novo professor assumirá as turmas na próxima segunda-feira (28) e as aulas serão repostas, mesmo com o quadro de docentes completo.

*Colaborou Plínio Aguiar, estagiário do R7

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