Logo R7.com
RecordPlus

Em protesto a projeto de lei, Marcha da maconha promete “distribuição gratuita de drogas”

Ato está previsto para esta terça-feira, no Viaduto do Chá

São Paulo|Do R7

  • Google News

Adicione como fonte preferencial no Google

Opens in new window
Em 2011, centenas de pessoas manifestaram na avenida Paulista
Em 2011, centenas de pessoas manifestaram na avenida Paulista FELIPE RAU/AE

Para protestar contra o projeto de lei 7.663/10, que propõe mais rigidez na política antidrogas implementada no Brasil, o coletivo Marcha da Maconha SP promove, nesta terça-feira (2), um ato no Viaduto do Chá, região central de São Paulo. No texto convocando a manifestação, os organizadores prometem “distribuição gratuita de drogas”.

— Se Osmar Terra [deputado do PMDB-RS, autor do projeto, que ainda será votado na Câmara] e os demais assinantes do PL [projeto de lei] querem internar usuários à força e aumentar a pena para traficantes, é melhor enviarem um ônibus ao Viaduto do Chá no dia 2 de abril, pois a Marcha da Maconha SP vai distribuir uma grande variedade de drogas. E, certamente, todo mundo vai usar!


Gabriela Moncau, integrante da Marcha da Maconha SP e do Coletivo Desentorpecendo a Razão, diz que o artifício é uma forma de "ironizar a hipocrisia no endurecimento na guerra às drogas".

— A gente está mantendo o elemento surpresa de como vai ser essa distribuição de drogas. Pensamos nesse formato mais lúdico. Só não vou dizer quais drogas serão distribuídas.


O mistério, guardado por ela, é desfeito na página criada em uma rede social para promover o evento. Lá, os organizadores fazem uma observação:

— Serão distribuídas apenas drogas legais. Favor não portar susbstâncias ilícitas.


A página promove ainda com um abaixo-assinado virtual, que convoca: "Diga não ao projeto de lei que vai mandar usuários de drogas para a cadeia". Até o início da noite de segunda-feira (1), a petição contava com quase 27 mil adesões.

Leia mais notícias de São Paulo


“Retrocesso”

Para Gabriela, o projeto de lei 7.663/10 significa um retrocesso em relação à política sobre drogas no País. O Coletivo Marcha da Maconha SP sustenta que ele reforça o modelo manicomial e cria um sistema paralelo ao SUS (Sistema Único de Saúde), "credenciando comunidades terapêuticas que não atendem às condicionantes mínimas da política nacional de saúde para lidar com dependentes de drogas".

— O projeto de lei prevê, por exemplo, a criação do Sistema Nacional de Política Sobre Drogas. Por meio desse sistema, que o Estado lidaria com a questão da saúde e das drogas. Esse sistema existiria paralelo ao SUS. O projeto não só ignora que a rede de atenção psicossocial do SUS precisa ser aperfeiçoada, incentivada, como cria um sistema paralelo. Ele prevê a internação compulsória e involuntária como pilar central do tratamento aos dependentes de drogas.

Gabriela defende ainda que o PL estimula o encarceramento em massa, ao propor o aumento das penas para o tráfico de entorpecentes.

— Tem uma parte do projeto que diz que a pena para tráfico pode aumentar 2/3 se tiver mistura de drogas. Este é um critério que ele [deputado] inventou para aumentar a pena de tráfico relacionado ao crack. E a gente sabe qual é a parte da população que é alvo de repressão em relação ao uso e à venda de crack. Ele é consumido por todas as classes, mas é claro que as pessoas pobres, que fazem o uso mais público nas ruas, que estão sendo alvo de repressão. O PL além de estimular o encarceramento em massa, que tem sido crescente no Brasil, ainda foca na maior repressão na questão do crack.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.