Em uma Belina 79, família vai de um extremo ao outro de SP para votar
Neste domingo (7), o comerciante Antônio Ocílio abriu a mercearia na manhã e pediu apoio dos vizinhos para cuidar do estabelecimento na Brasilândia
São Paulo|Kaique Dalapola, do R7

Empolgado ou desanimado, convicto ou ainda com dúvidas, cada um mudou a rotina de alguma forma neste movimentado domingo de eleições (7). O comerciante Antônio Ocílio, de 49 anos, por exemplo, acordou às 6h da manhã para abrir os dois comércios na Brasilândia, periferia da zona norte de São Paulo, antes de ir para o outro extremo da cidade votar em uma escola do Grajaú, na zona sul.
Por volta das 7h, ele e a esposa, Liduina Silva, de 44 anos, abriram a mercearia que têm em uma das ruas do bairro. A mulher e a filha do casal, Ludmilla Vasconcelos da Silva, de 11, ficaram no comércio. “Eu gosto de sair para ver como está o clima nas escolas”, conta Ocílio.
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Com uma Ford Belina verde, ano 1979, o cearense morador de São Paulo há 24 anos dá uma volta em frente as quatro escolas nos bairros da Brasilândia e Elisa Maria. Pouco depois das 10h, ele volta para rua onde tem o comércio. Agora é hora de começar se organizar para ir votar com a família.
Primeiro, chama uma vizinha para cuidar da mercearia. “Já votou? Fica aqui para gente ir votar também”. Depois, pede para outro vizinho, um jovem de 18 anos, abrir o bar. “O pessoal vai querer lanche, abre e atende eles lá”.
Antes de ir, a família almoça arroz, feijão, macarrão e carne cozida. Exceto o filho mais velho, Oséiaz Henrique Vasconcelos da Silva, 15 anos, que acordou 12h e estava preocupado em achar um calçado. “Vou de chinelo mesmo, esse tênis aqui tá manchado”, diz.
Pouco antes das 13h estavam todos prontos. Só faltou a última passada no noticiário para iniciar a viagem de cerca de 60 km para votar. “Essa [Belina] não deixa na mão”, diz Ocílio. E não deixou mesmo, nem quando os carros de luxo passavam do lado na Marginal Pinheiros.
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“A Ludmilla não gosta que eu leve ela na escola de carro, diz que queima o filme dela”, conta Ocílio rindo. Sem brincar, Oséiaz retruca: “quem vê esse [carro] aqui não dá nada, mas é só pintar e já era”.

Sempre no limite da velocidade, a primeira parada foi na entrada do bairro conhecido como Favela da Paz, atrás do Autódromo de Interlagos, já na zona sul, às 14h30. A escola que Linduina vota é lá.
Ela ficou pelo bairro com a filha. Depois de votar, iria para a casa do irmão — próximo à escola. Já Ocílio foi votar com o filho, no Parque Grajaú, e depois passaria na casa da mãe.
Ele chegou no colégio eleitoral para voltar às 15h15. Foi para a sala de votação com Oseiaz. “Aqui eu conheço tudo, morei a maior parte do tempo em São Paulo aqui nessa região”. Por isso, também saiu pelas escolas para sentir o clima antes de ir para casa da mãe.
Ele aguarda o final do horário de votação para buscar a esposa e a filha e voltar para zona norte. “Agora é só acompanhar a apuração e torcer”.













